Com Ana Amélia, Alckmin vai à extrema-direita para enfrentar Bolsonaro

Ao anunciar a senadora Ana Amélia como sua vice, Alckmin faz um giro histórico para o PSDB e encaminha o partido para a extrema direita, com o objetivo de recuperar o eleitorado perdido para Bolsonaro; ao romper com os limites da legalidade e liderar do golpe de 2016, os tucanos abriram a política para a extrema-direita, que os atropelou; Ana Amélia, uma Marine Le Pen brasileira, pode engolir Alckmin

Com Ana Amélia, Alckmin vai à extrema-direita para enfrentar Bolsonaro
Com Ana Amélia, Alckmin vai à extrema-direita para enfrentar Bolsonaro

Por Mauro Lopes, do 247 - Ao anunciar o nome da senadora gaúcha Ana Amélia (PP) com sua vice, Geraldo Alckmin realiza um giro histórico dos tucanos na direção da extrema-direita e demonstra que sua prioridade é disputar este terreno com Jair Bolsonaro. Ana Amélia é representante dos segmentos de extrema-direita no Rio Grande do Sul. Ficou conhecida pela violência de seus ataques a Dilma durante o processo do golpe e por dois episódios mais recentes, em março quando saudou as agressões fascistas à caravana de Lula no Estado e em abril, quando, ao criticar a senadora Gleisi Hoffman por uma entrevista à TV Al Jazeera, propositadamente acusou a respeitada TV árabe de ser uma ponta de lança do Estado Islâmico. A senadora é idolatrada pelo MBL e considerada uma líder da bancada ruralista, ao defender, por exemplo, a posse de armas pelos fazendeiros, em sintonia com as propostas de Jair Bolsonaro.

O movimento alckimista é revelador do desespero dos tucanos com a perda do eleitorado conservador que, desde os anos 1990 garantiram ao PSDB uma fatia ao redor de 20% a 30% do eleitorado. Ao romper com os limites da política institucional e liderar a aventura do golpe de Estado de 2016, o PSDB, depois de estimular movimentos de extrema-direita como o MBL e o Vem Pra Rua, abriu espaço à ação de Bolsonaro e foi engolido. Hoje, Alckmin arrasta-se melancolicamente ao redor de 5% das preferências do eleitorado. Com o giro à extrema-direita, busca disputar a fatia que historicamente lhe pertencia.

Para retomar fôlego eleitoral, os tucanos, que já tinham  abandonado de vez o perfil social-democrata que marcou a fundação da sigla em 1988, agora ensaiam romper seus laços com o liberalismo (e o neoliberalismo) que marcou o partido a partir da segunda metade da década de 1990, mergulhando-o numa jornada de extrema-direita que poderá liquidar a sigla definitivamente.

As palavras de Ana Amélia quando saudou as agressões à caravana de Lula, ao discursar em uma convenção estadual do PP gaúcho em 24 de março ainda ecoam: "Quero parabenizar Bagé, Santa Maria, Passo Fundo, São Borja. Botaram a correr aquele povo que foi lá levando um condenado se queixando da democracia. Atirar ovo, levantar o relho, mostra onde estão os gaúchos". Depois do açoite aos escravos, o relho contra os inimigos. Este será o tom da campanha de Alckmin-Amélia para competir com Bolsonaro.

Ana Amélia em tudo lembra a líder da Frente Nacional francesa, Marine Le Pen, que comanda um dos principais agrupamentos europeus de extrema-direita de perfil racista e laços com grupos fascistas.

Candidata a vice, fará o mesmo percurso que os movimentos de extrema-direita que soterraram o PSDB e acabará por engolir Alckmin?

 

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