Governo abre 2018 com ministério bem diferente do prometido

No papel, a ideia era fazer um ministério de “notáveis”, isto é, com ministros de qualificação técnica reconhecida e sem marcas fisiológicas de trocar cargos por votos no Congresso; porém, o apetite de parlamentares por cargos fez o plano naufragar

Presidente Michel Temer no Palácio do Planalto 15/12/2017 REUTERS/Adriano Machado
Presidente Michel Temer no Palácio do Planalto 15/12/2017 REUTERS/Adriano Machado (Foto: Charles Nisz)

247 - Michel Temer chega ao primeiro dia de seu último ano de mandato com um ministério bem diferente daquele prometido quando ele assumiu o Planalto. Os “notáveis” deram espaço a políticos aliados, o número de pastas aumentou, ministros denunciados continuaram no cargo e líderes partidários foram trocados por parlamentares do baixo clero.

Em abril, o desenho ministerial deve mudar por causa das eleições, já que esse é o limite para a permanência à frente das pastas de quem desejar ser candidato. Um dos nomes que deve deixar o ministério é Henrique Meirelles, um dos presidenciáveis. Outros vão se candidatar a outros cargos para manter o foro privilegiado.

O plano original de Temer era que a maioria dos ministros-candidatos saísse ainda em novembro, com o desembarque tucano deflagrado pela demissão de Bruno Araújo (Cidades), do PSDB. Muitos preferiram continuar sob os holofotes e estrutura da máquina do governo. Temer já está fazendo substituições: o deputado Pedro Fernandes (PTB-MA) assumirá o ministério do Trabalho. Ele entra no lugar do deputado correligionário Ronaldo Nogueira (PR), que pedirá votos no ano que vem.

Já no Palácio do Planalto, há menos de um mês, o ministro responsável pela articulação com o Congresso passou a ser o deputado Carlos Marun (PMDB-MS). O perfil dos dois parlamentares de baixa expressão contrasta com a composição inicial da Esplanada da gestão Temer. Em 2017, nomes nacionais eram mais presentes no ministério: o caso do presidente nacional do PMDB, Romero Jucá (RR), era ministro do Planejamento, Geddel Vieira Lima, na Secretaria de Governo, e Henrique Alves, no Turismo.O Itamaraty ficou com o senador José Serra (SP), e o deputado Bruno Araújo (PE), ficou com a pasta das Cidades.

Apesar da promessa de enxugar a máquina estatal, a Esplanada dos Ministérios inchou no governo Temer: de 25 para 28 pastas. Logo no primeiro mês de gestão veio o primeiro aumento na equipe ministerial. Michel Temer havia anexado a Cultura à Educação, mas recuou e recriou o Ministério da Cultura, depois de protestos vindos da classe artística. O Palácio do Planalto segurou a criação dos dois últimos ministérios — Secretaria Geral e Direitos Humanos - a tempo de enviar mensagem ao Congresso no começo do ano legislativo, em fevereiro.

No papel, a ideia era fazer um ministério de “notáveis”, isto é, com ministros de qualificação técnica reconhecida e sem marcas fisiológicas de trocar cargos por votos no Congresso. Porém, o apetite de parlamentares por cargos fez o plano naufragar.

Mudou também a régua para lidar com acusações. Se antes Temer dizia que demitiria o ministro que estivesse envolvido em “irregularidades administrativas”, um termo genérico que abria espaço para sacar subordinados por diversos motivos, a demissão só aconteceria se o ministro virasse réu.

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