Meirelles vem aí

Calma, Tombini: ele no est voltando para o Banco Central. Mas na prxima semana o ex-chefe do BC deve transferir seu domiclio eleitoral de Gois para So Paulo. Ser que ele quer ser prefeito da maior e mais rica cidade do Pas?

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Leonardo Attuch_247 – Os próximos dias reservam uma surpresa capaz de alterar os rumos da sucessão municipal na cidade mais rica do País. Henrique Meirelles, que presidiu o Banco Central nos oito anos do governo Lula, deve transferir seu domicílio eleitoral de Anápolis, em Goiás, para São Paulo. O que significa que ele, que foi excluído da equipe econômica do governo Dilma e teve seu papel esvaziado nas articulações dos Jogos Olímpicos, poderá retomar a velha ambição política. Meirelles nunca escondeu de ninguém que sonha alto. Seu objetivo é, um dia, poder disputar a presidência da República. E talvez ele comece sua caminhada pela cidade de São Paulo.

Hoje, Meirelles é filiado ao PMDB, que já tem candidato, o deputado federal Gabriel Chalita. Mas o jogo passa por outro partido político. Se, na próxima semana, o TSE validar o registro do PSD, do prefeito Gilberto Kassab, Meirelles poderá simplesmente sair do PMDB e assinar a ficha de filiação do PSD. Para quem já foi eleito deputado pelo PSDB, serviu ao governo do PT e hoje está no PMDB, não seria sacrifício algum. Meirelles não é um quadro partidário. Meirelles é Meirelles. Mas como ele é também extremamente conservador, não tomará qualquer atitude antes do registro definitivo do PSD ser aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Uma candidatura de Meirelles seria recebida com entusiasmo pelos meios econômicos de São Paulo. Nos oito anos em que presidiu o BC, ele se tornou uma espécie de herói da Febraban – a Federação Brasileira dos Bancos. Antes disso, presidiu o BankBoston e tomou iniciativas importantes, como a campanha Viva o Centro, pela recuperação do centro antigo de São Paulo – aliás, uma das bandeiras de Kassab.

Sua entrada na disputa poderia mexer com o quadro eleitoral. O PT tem a líder nas pesquisas, que é Marta Suplicy, com 30% das intenções de voto, mas ela pode ser substituída por um nome ainda não testado nas urnas, que é o de Fernando Haddad. O PSDB, por sua vez, não deve vir com José Serra, mas também com novatos. E Chalita, embora seja o segundo deputado mais votado de São Paulo, ainda não disputou uma eleição majoritária. Sem contar o fato de que a prefeitura de São Paulo tem alguns bilhões em caixa para investir até as eleições.

Outro fator que pode impulsionar Meirelles é um certo saudosismo dos meios econômicos, diante da disparada do dólar e de uma inflação que já roda acima da meta. Será que Meirelles vem aí? Calma, Tombini. O Banco Central é seu, mas a prefeitura de São Paulo...

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