Moreira Franco e Jucá fazem embate público

O PMDB já não consegue manter nos bastidores suas disputas pelo poder; ontem, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, e o líder do governo no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR), protagonizaram um confronto público, escancarando uma disputa travada há tempos fora dos holofotes; Moreira já vinha demonstrando descontentamento com Jucá, presidente do PMDB, por causa das declarações do colega contra a Lava Jato, que, na sua avaliação, causam embaraços a Temer; o estopim da nova crise, porém, foi uma entrevista ao jornal Valor, na qual o ministro disse que o PMDB não fechará questão sobre a reforma da Previdência porque isso "contraria as tradições do partido"; a discussão foi parar no gabinete de Michel Temer

Romero Jucá e Moreira Franco
Romero Jucá e Moreira Franco (Foto: Giuliana Miranda)

247 - Ontem, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, e o líder do governo no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR), protagonizaram um confronto público, escancarando uma disputa travada há tempos fora dos holofotes. Moreira já vinha demonstrando descontentamento com Jucá, presidente do PMDB, por causa das declarações do colega contra a Lava Jato, que, na sua avaliação, causam embaraços a Temer; o estopim da nova crise, porém, foi uma entrevista ao jornal Valor, na qual o ministro disse que o PMDB não fechará questão sobre a reforma da Previdência porque isso "contraria as tradições do partido"; a discussão foi parar no gabinete de Michel temer

As informações são de reportagem de Vera Rosa e Tânia Monteiro no Estado de São Paulo.

"As afirmações de Moreira foram feitas no mesmo dia em que Temer se reuniu com líderes de partidos da base aliada e sindicalistas para convencê-los da importância de aprovar a polêmica reforma da Previdência. Auxiliares do presidente disseram que a entrevista provocou reação no mercado e funcionou como um "sinal confuso" para o Congresso.

Moreira foi além e, perguntado na entrevista se Jucá falava em nome do governo - quando comparou a Lava Jato à Inquisição e disse ser preciso "estancar essa sangria" -, não escondeu o mal-estar. 'Não, não fala. Ele disse que não falava pelo governo. Quando soubemos (das declarações de Jucá), nós ficamos surpresos porque não havia sido feita consulta", respondeu. "Não é fácil um líder falar uma coisa, ter a reação que teve, ser líder do governo e dizer que não era líder do governo quando falou aquilo.'

O núcleo político do Planalto também ficou atônito diante de uma afirmação feita por Jucá ao Estado. Na terça-feira, 21, o senador disse que restringir o foro privilegiado de políticos - deixando de fora magistrados e integrantes do Ministério Público - seria uma "suruba selecionada". "Se acabar o foro, é para todo mundo. Suruba é suruba. Aí é todo mundo na suruba, não uma suruba selecionada", afirmou Jucá, que no dia seguinte pediu desculpas a quem tenha se sentido ofendido.

Ao ler a entrevista de Moreira, no entanto, o senador ficou furioso. Combinou com Temer uma resposta sobre a parte relacionada à reforma da Previdência, na tentativa de "esclarecer" a questão, já que comanda o PMDB. Em nota, Jucá lembrou que a legenda não tomou nenhuma posição a respeito de liberar o voto. "Ao contrário, o partido tem discutido com a bancada federal da Câmara dos Deputados a possibilidade de fechamento de questão assim como foi feito na votação da PEC que limita os gastos públicos. Tal assunto também não foi tratado pelo presidente do partido''.

Jucá e Moreira também se estranharam, nos últimos dias, por causa da distribuição do dinheiro do Fundo Partidário para cobrir despesas eleitorais. Irritado, o senador mandou os presidentes de diretórios estaduais do PMDB procurarem Temer para resolver o imbróglio."

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