O ministro esquecido

Depois de seis meses e 21 dias no cargo, Pedro Novais, do Turismo, consegue sua primeira audincia com a presidente Dilma

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Depois de seis meses e 21 dias no cargo de ministro do Turismo, Pedro Novais, de 81 anos, foi finalmente recebido hoje pela presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. A estreia de Novais, um aliado do senador José Sarney (PMDB-AP), no gabinete do terceiro andar do prédio foi mais rápida que o previsto. A audiência deveria durar uma hora, das 15 horas às 16 horas. Entretanto, Dilma chegou 30 minutos atrasada e, pontualmente, encerrou o encontro no horário previsto.

Novais faz parte da lista dos ministros considerados "ineficientes" e "inadequados" na máquina administrativa pela própria presidente, informam auxiliares de Dilma. Com casa e família no Rio de Janeiro e deputado pelo Maranhão de 1983 a 2010, o ministro causou constrangimento para a presidente antes mesmo de tomar posse. No final do ano, o jornal O Estado de S. Paulo mostrou que ele usou dinheiro da Câmara para pagar pernoite em motel, em São Luís. A sua permanência no cargo é um presente do "amigo" José Sarney.

Assessores do governo nem se esforçam em tentar desmentir notícias de que Dilma não tem paciência para conversar com o ministro do Turismo, uma área considerada estratégica para um País que sediará nos próximos anos os dois maiores eventos esportivos do mundo - a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. Em vez de perguntas sobre o motivo da audiência, os assessores tiveram de ouvir questionamentos sobre uma possível demissão de Novais, no momento de "faxina" no governo.

Para amenizar o mal-estar com notícias sobre a "estreia" de Novais no palácio, assessores disseram que o ministro esteve com Dilma anteriormente em "reuniões coletivas", para discutir assuntos relacionados à área do turismo, como transportes. Hoje, no entanto, quando a presidente abriu uma reunião, após o encontro com Novais, para discutir obras de melhoria de rodovias o ministro do Turismo já tinha deixado o palácio.

Ao contrário de ministros de pastas sem influência que costumam aproveitar as audiências com a presidente para dar longas entrevistas no Planalto, Novais entrou e deixou o palácio pela garagem. A assessoria do ministro informou que ele permaneceu mais de uma hora no palácio, um período que incluiu encontro com a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. O ministro mandou avisar que não estava autorizado pelo Planalto a dar qualquer entrevista.

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