O Nordeste muda de cara

O nordestino que nos anos 30 era obrigado a migrar para não morrer de fome hoje é assistido por programas sociais de peso criados nos governos Lula e Dilma

O nordeste vive hoje a maior seca dos últimos 50 anos. É triste. Mais triste ainda é saber que este não é um fato novo, se repete na história nordestina e de seu povo.

É difícil imaginar nos dias atuais de globalização e comunicação rápida seres humanos vivendo em racionamento do bem mais precioso no nosso dia a dia para beber, cozinhar, limpar suas casas e desempenhar o mais elementar dos atos de higiene pessoal da modernidade: banhar-se. Isso sem considerar não ter água para matar a sede de rebanhos e irrigar plantações.

Uma vez a cada tanto, deveríamos acordar e pensar em como seria se um dia descobríssemos que nossas reservas de água potável chegaram ao fim e que sob regime de racionamento tivéssemos cota de água apenas suficiente para matar a sede e não morrer.

Não é difícil imaginar. Bastariam alguns dias, e, com certeza, as flores estariam secas, as moscas teriam tomado conta da cozinha e nós, transformados em criaturas sujas e malcheirosas. Filme de ficção? Nem tanto. Esse exercício é didático e nos faz pensar em economizar água e na importância da solidariedade com quem não a tem em abundância.

Onde não há água, a comida é escassa ou inexistente. E a situação atual no nordeste é grave pois atingiu mais de 1.415 municípios em vários estados, segundo declarações da presidenta Dilma Roussef, em seu programa semanal de rádio.

Diante desta situação, louvo sua sabedoria em perceber a situação humana do nordestino e garantir providências além das já postas em prática pelo governo nos últimos anos.

Os programas iniciados no governo do ex-presidente Lula, como Bolsa Família, Luz para Todos, Brasil Alfabetizado e Educação de Jovens e Adultos, Minha Casa Minha Vida, Um Milhão de Cisternas, dentre muitos outros, mudaram a cara do semi-árido e do nordeste brasileiro. Para muito melhor.

Desde que a presidenta Dilma assumiu o governo, em janeiro de 2011, foram investidos cerca de R$ 32 bilhões em obras de infraestrutura para garantir o fornecimento permanente de água na região, como represas, canais e sistemas de abastecimento de água. O governo também executará medidas de emergência no valor de R$ 17 bilhões.

Suas palavras não deixam dúvidas a respeito: "O governo federal não vai permitir que o povo do semi-árido e de todo o Nordeste fique desamparado. Enquanto houver seca, vamos agir, acelerar as obras estruturantes e as ações emergenciais para ajudar a população a enfrentar todas as dificuldades", assegurou Dilma.

Os recursos, segundo a presidenta, para enfrentar de forma imediata os efeitos da seca, serão destinados à proteção dos agricultores, à ampliação do acesso à água, à alimentação dos rebanhos, aos municípios e à ampliação do crédito.

A previsão é que cada um receba uma retroescavadeira, uma motoniveladora, dois caminhões (um caminhão-caçamba e um caminhão-pipa) e uma pá-carregadeira, além de 340 mil toneladas de milho entre os meses de abril e maio, vendidas aos produtores a preço subsidiado. Antigamente vendia-se o rebanho antes que ele morresse de sede e de fome, ou via-o definhar com o avanço da seca.

O Nordeste foi a região do país que mais cresceu nos últimos anos e faço minhas as palavras da presidenta de que nosso desafio para evitar a perda das conquistas alcançadas nos últimos dez anos será garantir a segurança hídrica e a segurança produtiva da população.

Eu vou além. Temos que manter as conquistas alcançadas e, a dignidade do povo nordestino, que, é necessário frisar, mantem-se intacta mesmo nos momentos mais difícies. Com toda esta crise não se tem notícia de nenhum saque aos armazéns e comércios de alimentos.

O nordestino é por natureza um pacífico, mesmo nos momentos de desespero. Me lembro de minha avó contando sobre a seca de 1930, onde o único alimento disponível no sertão era a raiz de um cipó chamado Mucunan, ralado e lavado pra se fazer o beiju. Ouvi histórias de que no auge da seca e da fome na região os trabalhadores rurais trazendo na mão apenas um saco, iam em grupos até os armazéns de venda de alimentos, saqueavam e voltavam pra casa com nada além do que comida para a família. Nenhuma arma era usada.

Trago fresca na memória a história da saga de meus avós. Quando saíram do sertão de Pernambuco levaram crianças e pertences no lombo de um jumento, e assim atravessaram todo o Piauí até alcançar o Vale do Mearim, no Maranhão, na busca de uma região melhor para viver.

Sou maranhense filho de migrantes e eu próprio um migrante. Hoje, é com extrema alegria que encaro a existência de programas sociais que mudaram definitivamente a vida dos nordestinos. Eles não precisam mais abandonar sua terra para sobreviver.

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