Privatização: fim da farsa política

Pouco importará quem privatizou, se o PT ou o PSDB, valerá a regra do governo eficiente, que foca sua atuação no essencial, não nas bandeiras do passado

A bem sucedida privatização dos aeroportos encerra uma farsa política. Seu fim fará um bem enorme ao debate nacional, que se pautará doravante, nesse assunto como talvez em outros, pelo confronto de ideias mais substantivas, e não pela mera retórica eleitoral. Para não dizer, pela mentirada.

Embora o debate da privatização tenha, pode-se entender, nascido a partir de uma posição ideológica do PT, com o tempo ele se transformou em uma notável malandragem política utilizada com maestria por Lula contra FHC. Em decorrência, PT e PSDB se degladiavam sem nem direito saber o porquê. Com a estabilização da economia, o Plano Real, ocorre quase a mesma coisa.

No passado, naquela época desde Getúlio Vargas, em que o desenvolvimento do país somente se poderia alcançar às custas do investimento público, fazia todo sentido o Estado promover a economia. Com a globalização e o novo dinamismo mundial, progressivamente ao Estado coube cuidar das necessidades básicas da população, abrindo espaços no mundo da produção ao capital privado. Noutra vertente de raciocínio, os países comunistas nos quais por princípio a economia, e a sociedade, era comandada pelo Partido, definharam e desapareceram do mapa.

Ao se iniciar o processo de privatizações no Brasil, incluindo as concessões de serviços públicos, quem permaneceu olhando no retrovisor continuou defendendo o governo intervencionista, ou socialista; quem entendeu as mudanças do mundo e olhou prá frente, mudou de opinião. Posteriormente, o debate, que era ideológico de início, passou a ser contaminado pela falácia, tornando-se nas palavras de Elena Landau, “raivoso e sem muita argumentação”.

Agora, o interesse público e a razão prática voltaram a prevalecer. Foi ele, o cidadão contribuinte, quem ganhou com a privatização da telefonia, da siderurgia, da mineração. Será sua família quem se alegrará ao chegar nos aeroportos e for bem atendida, com presteza. Pouco importará quem privatizou, se o PT ou o PSDB, valerá a regra do governo eficiente, que foca sua atuação no essencial, não nas bandeiras do passado. O povo abre os olhos contra a impostura.

Falta agora o Lula falar, e reconhecer que FHC venceu esse debate. Ou melhor, deixa quieto. A história fará justiça.

Xico Graziano é ex-secretário de Meio Ambiente do governo de São Paulo e diretor executivo do site Observador Político/iFHC

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