PSC – Partido Sem Critério?

Um notório apalpador de bundas e tetas pode representar os cristãos no parlamento

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O Partido Social Cristão (PSC) tem como lema a seguinte frase: "O ser humano em primeiro lugar." Infelizmente, com a filiação do midiático e estrambólico Dr. Rey em seus quadros, o PSC, que já estava com o filme pra lá de queimado por conta da indicação do polêmico Marco Feliciano, acusado de dar declarações racistas e homofóbicas, pra presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, provou que é um partido sem critérios. E que, ao contrário do que diz seu slogan, é a incoerência, ou a mais lavada hipocrisia, que vem em primeiro lugar.

Dr. Rey, ou Roberto Miguel Rey Junior, é um cirurgião plástico e apresentador de TV que se vale do mais descarado mau gosto nos seus programas. Apertando tetas e bundas em rede nacional, ele destila seus conhecimentos de anatomia de uma maneira escandalosa e pouco profissional que, suponho, deva exasperar os profissionais sérios da área. Com um currículo que envolve participações em programas do naipe de Sônia Abrão e Ratinho, ele estreou o programa Sexo a 3 na Rede TV! e obteve as seguintes críticas dos veículos de entretenimento:

Maurício Stycer: "Um show inclassificável na mistura de baixaria, falta de sentido e humor involuntário."

José Armando Vanucci: "Apelativo, de baixo conteúdo e extremamente cafona. Algo agressivo, de péssimo gosto"

Fernando Oliveira: "Há momentos em que ele apalpa suas assistentes de palco, batizadas de Reyzetes – marcadas por número, como gado – pelo bumbum e pelos seios. Estamos falando de baixaria."

É esse o partido que leva em conta "o ser humano em primeiro lugar." Filiações desse tipo só servem pra esvaziar de sentido a já depauperada representação partidária no Brasil, onde legendas de aluguel sem nenhuma ideologia valem-se de celebridades pra puxar votos. Nosso parlamento está se tornando um imenso reality show.

Partidos de base cristã são tradicionais na Europa e fazem parte do jogo democrático. Todos merecem ser representados. Mas o que o PSC faz ao flertar com figuras assim é sequestrar o conceito de "cristão" em prol dos seus interesses mais mesquinhos. "Entendo que o mundo está entrando no caos porque as pessoas não querem mais ouvir a palavra de Deus" disse Dr. Rey. Como se vê, Deus é o fiador da sua carreira política. Não os "valores cristãos", mas Deus – sem intermediários. Afinal, o que os valores cristãos têm a ver com o show de vulgaridade que são os seus programas televisivos, ou com o hábito de exortar mulheres a mutilar o próprio corpo em nome da vaidade?

O "Cristão" do PSC não passa de oportunismo. Mas o fenômeno não ocorre só com o PSC. Ninguém acreditaria, por exemplo, que o Romário é "socialista", como o conceito consta no dicionário. Ou que, se o governo é dos "trabalhadores", a oposição deva ser composta só de patrões ou desocupados. Os nomes dos partidos não querem dizer muita coisa – o ministro do Esporte, que é comunista, está organizando um dos eventos mais capitalistas do mundo: a Copa. Mas os nomes dos partidos devem pelo menos significar ALGUMA coisa, por mais vaga que seja. Senão, perdemos todos os critérios.

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