PT, PSB e PC do B articulam federação partidária para que esquerda tenha maior bancada na Câmara

Federação de esquerda teria 92 deputados, o que lhe garantiria a condição de maior bancada. União Brasil, resultado da fusão do PSL e DEM tem 82 deputados, mas muitos devem sair para o PL

www.brasil247.com - Lula e plenário da Câmara dos Deputados
Lula e plenário da Câmara dos Deputados (Foto: Ricardo Stuckert | Marina Ramos/Câmara dos Deputados)


247 - O PT está articulando a formação de uma federação partidária com PSB e PCdoB no Congresso Nacional. O fato é relevante porque garantirá à esquerda a maior bancada na Câmara dos Deputados. Com a formação da federação, a bancada de esquerda teria 92 deputados. A segunda maior bancada seria a da União Brasil, partido resultante da fusão entre PSL e DEM, com 82 deputados -mas estima-se que vários parlamentares do PSL deixarão o partido rumo ao PL, acompanhando Bolsonaro. A federação poderá ser, ao lado do PSOL, a base parlamentar de um eventual governo Luiz Inácio Lula da Silva a partir de 2023.

No Senado, a criação da federação PT-PSB-PCdoB não terá impacto, pois apenas o PT tem bancada com senadores, seis. O PCdoB não tem nenhum e o PSB elegeu três, mas eles deixaram o partido. Jorge Kajuru foi para o Podemos, Leila Barros para o Cidadania e Vital do Rêgo para o MDB.

Em setembro deste ano, o Congresso derrubou o veto do presidente Jair Bolsonaro ao projeto de lei que permite aos partidos se reunirem em federação. Pelo texto aprovado, as legendas são obrigadas a permanecer unidas por um período de quatro anos e teriam que atuar juntas nas esfera federal, estadual e municipal.

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O PT inicialmente descartou integrar alguma federação, mas nas últimas semanas parlamentares influentes da sigla passaram a costurar as conversas com os outros dois partidos sobre o tema. Mas o assunto ainda não está fechado, pois há quem considere, no PT, que a formalização da coligação com outras siglas poderia dificultar a eleição de parlamentares do partido.

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Pelo prazo estabelecido na lei, as federações precisam ser registradas até o início de abril, enquanto as coligações eleitorais podem ser formalizadas até o começo de agosto.

Segundo reportagem de O Globo, um dirigente envolvido nas discussões sobre a união dos três partidos de esquerda avalia que a federação poderia eleger até 200 deputados, o que daria a Lula, caso eleito, uma sólida base na Câmara. O desafio é enorme. A federação hoje tem 92 deputados e a esquerda nunca chegou perto dos 200 deputados. Um número crucial é 171 - com ele, um terço da Câmara, a esquerda teria votos suficientes para barrar qualquer tentativa de impeachment contra Lula. Mas mesmo essa bancada nunca foi eleita pelos partidos de esquerda e centro-esquerda.Na eleição de 2010, quando Lula estava deixando o governo com 87% de popularidade e havia euforia ao redor da eleição de Dilma, a esquerda não elegeu 171 deputados. O PT, que fez a maior bancada da história, elegeu 86, o PSB fez 35, o PDT elegeu 27, o PC do B conquistou 15 cadeiras e o PSOL, 3 - um total de 166, cinco a menos que o número mágico de 171. Leia mais aqui.

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Para o mesmo dirigente ouvido por O Globo, a formalização da federação serviria como resposta a movimentos vistos entre os partidos de centro-direita, como a fusão do DEM com o PSL, que resultará na sigla União Brasil. 

Com risco de ser atingido pela cláusula de barreira, o PCdoB se tornou o principal interessado na viabilização da federação. A comissão política nacional do partido se reuniu na sexta-feira (26) e decidiu que tratará do tema de forma “célere”. “A federação que o PCdoB trabalha para construir estará vocacionada a ser o esteio da derrota da extrema-direita e da conquista de um governo de amplas forças políticas que restaure a democracia e promova a reconstrução do país”, diz nota do partido.

Para o PSB, a federação seria uma forma de solucionar um problema que vem sendo enfrentado por todos os partidos médios: a formação de chapas para as disputas de deputados em todos os estados da federação. Essa será a primeira eleição nacional sem a possibilidade de coligação nas disputas proporcionais. As coligações permitiam que um ou mais partidos se unissem apenas para a eleição. As configurações podiam ser diferentes em cada estado.

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