Reforma só sai se vier de fora do Congresso, diz relator

Para o relator do projeto da Reforma Política, deputado Vicente Cândido (PT-SP), só a pressão da sociedade civil pode produzir mudanças no sistema eleitoral brasileiro; para Cândido, o atual sistema forma um Congresso com viés: um viés empresarial, machista, de brancos, que não representa o todo da sociedade

Vicente Cândido
Vicente Cândido (Foto: Charles Nisz)

247 - Relator do mais recente projeto de reforma política, o deputado Vicente Cândido (PT-SP) reconhece fracasso do projeto de lei e diz que "só haverá mudança significativa se ela vier de fora do Congresso". Após incontáveis alterações no texto do projeto, Cândido diz que o Brasil só terá tranquilidade quando alterar o sistema eleitoral. 

Para Cândido, o atual sistema forma um Congresso com viés: um viés empresarial, machista, de brancos, que não representa o todo da sociedade. O Congresso deveria ter mais mulheres, negros, jovens. De acordo com o parlamentar, há três caminhos para alcançar essa mudança: pelo Congresso, por uma Constituinte exclusiva ou uma união entre Congresso e sociedade civil. "Mais do que esquerda ou direita, o sistema político precisa ter inclusão. Precisamos de um sistema eleitoral inclusivo, barato e sério", acrescenta. 

De acordo com o parlamentar petista, a solução criada pelo atual Congresso é um paliativo para que a eleição de 2018 não seja um caos. Mas é um solução, ainda, muito vulnerável. "O debate começou em outubro passado, mas foi tudo deixado para a última hora. Cândido, no entanto, reconhece que aconteceram avanços, como o fim das coligações para eleições legislativas, a cláusula de barreira e a criação do fundo eleitoral.

Mas pontos como o fim do voto obrigatório e a mudança do sistema para o distritão, não passaram. "Por isso que acho que ou a sociedade brasileira produz um projeto ou acho muito difícil. Se não for de fora pra dentro, com pressão da sociedade, acho muito difícil avançar".

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