“Saliva não produz energia”, ataca Goldman

Oposição renova apostas na crise energética; desta vez é o ex-vice-governador Alberto Goldman (PSDB-SP), que rompe longo mutismo para aparecer em público torcendo contra; segundo ele, não vai adiantar a "conversinha" da presidente Dilma com os "maiorais da indústria", pois eles "precisam é de matéria prima, não saliva"; para tucano, apagão nacional dos tempos de Fernando Henrique foi bem resolvido

“Saliva não produz energia”, ataca Goldman
“Saliva não produz energia”, ataca Goldman
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247 – O PSDB parece ter renovado suas apostas na crise energética do País, que perde força diante de negações da presidente Dilma Rousseff e de especialistas do setor, que afirmam que o Brasil não corre risco de racionamento. Desta vez, os ataques partiram do ex-vice-governador de São Paulo Alberto Goldman (PSDB), que declara que a "saliva" do governo federal "não produz energia".

Numa análise publicada no site do PSDB, o tucano garante: "Não vai adiantar a conversinha que ela tem com os maiorais da indústria. O que esses precisam é de matéria prima, não saliva". Goldman se refere a reuniões que a presidente teve com importantes empresários na semana passada, como os presidentes do grupo Lafarge, do Bradesco e do Sindicato da Indústria Pesada (Sinicon), em Brasília.

Alberto Goldman também afirma que o racionamento dos tempos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi bem resolvido e que sua "herança bendita" é que tem permitido que usinas térmicas estejam hoje em pleno funcionamento, impedindo um ambiente de apagão. "Mas parece que a Dilma não aprendeu a lição", lamenta o ex-governador.

Leia abaixo a íntegra de sua análise sobre o assunto:

"Saliva não produz energia", análise de Alberto Goldman

Tivemos o apagão ( racionamento de energia elétrica ) em 2001, durante o governo FHC. Sem dúvida, falta de um planejamento adequado, e uma demora em tomar providências emergenciais. Em razão disso FHC decretou uma espécie de intervenção branca no ministério e determinou ao ministro Pedro Parente, da Casa Civil, que presidisse uma Câmara de Gestão de Crise de Energia. Essa Câmara montou um plano emergencial – e de médio prazo – de construção de usinas térmicas, alimentadas por gás natural ou diesel, que começaram a ser imediatamente construidas e que foram sendo entregues durante os anos seguintes, já no governo Lula.

Essas usinas térmicas, agora em pleno funcionamento, estão garantindo que, por ora, não tenhamos racionamento. Eis aí mais um pedaço da herança bendita deixada pelo Fernando Henrique.

Mas parece que a Dilma não aprendeu a lição. Não se preparou para enfrentar uma nova possibilidade de falta de energia elétrica, principalmente pelo fato de, mesmo com o aumento da geração hidráulica e da geração térmica, além de outras, eram previsíveis as dificuldades que adviriam em face do enorme aumento de demanda de energia que cresceu brutalmente entre aquele ano – 2001 – e os dias de hoje. Uma delas é a carência dos insumos – gás e diesel. O gás natural, que em parte vem da Bolívia, é insuficiente para atender a demanda ao mesmo tempo das usinas elétricas e da indústria que, em grande parte, usa-o para a sua produção. Agora podemos chegar a uma situação em que se tivermos de aumentar o consumo de gás natural para movimentar as usinas térmicas, poderá vir a faltar o mesmo para as indústrias.

E não vai adiantar a conversinha que ela tem com os maiorais da indústria. O que esses precisam é de matéria prima, não saliva. Saliva não produz energia.

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