Sarney: "Minha palavra final é de gratidão"

Em seu último pronunciamento como presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) faz balanço de sua gestão, defende a democracia, o parlamento e cita as principais ações do último biênio; antes, o candidato favorito Renan Calheiros (PMDB-AL) discursou ignorando as denúncias movidas contra ele e disse que a "ética é meio, e não fim"; o peemedebista mandou recado ao adversário, Pedro Taques (PDT-MT), que se antecipou como derrotado: "o senhor está chegando, eu estou aqui há 18 anos"

Sarney: "Minha palavra final é de gratidão"
Sarney: "Minha palavra final é de gratidão"
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247 – Em seu último pronunciamento como presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) fez um balanço de sua gestão e, emocionado, citou diversas ações implantadas durante o último biênio em que esteve no cargo. O peemedebista destacou, principalmente, a digitalização de documentos, áudios e reportagens, ações proporcionadas pela tecnologia. Neste momento, aproveitou para criticar a "falta de controle do jornalismo digital". Quando embargou a voz durante sua fala, foi aplaudido pelos colegas.

Para Sarney, o Senado hoje é tão respeitado quanto no passado. O peemedebista citou o ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill, o ex-presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln, agradeceu a todos os senadores e senadoras e disse já ter chegado emocionado à sessão desta sexta-feira. Ele afirmou que faz parte de sua conduta "não apenas pregar a democracia", mas fazer dela "um modo de vida." Em suas últimas palavras, foi aplaudido de pé: "Minha palavra final, portanto, é de gratidão".

Sarney foi o parlamentar que esteve por mais tempo no Senado - 35 anos consecutivos. Além disso, passou quatro vezes pela presidência da Casa (leia aqui entrevista dele à Agência Senado). Após o discurso de Sarney, foi iniciada a eleição para a escolha de seu sucessor. 

Leia abaixo notícias anteriores sobre a eleição do presidente do Senado:

Último a discursar na eleição à presidência do Senado, antes apenas do presidente atual da Casa, José Sarney, o candidato favorito na disputa, Renan Calheiros (PMDB-AL), não comentou as denúncias movidas contra ele na Justiça – nem as antigas, nem as recentes. O peemedebista também não se abalou com o pedido de seu colega de partido Pedro Simon (RS) para que renuncie à própria candidatura, em razão do processo a ser aberto contra ele no Supremo Tribunal Federal, a pedido do procurador geral da República, Roberto Gurgel.

Igualmente não respondeu diretamente ao discurso, encerrado em aplausos, do senador Pedro Taques (PDT-MT), seu adversário na disputa pela presidência da Casa. Ao senador João Capiberibe (PSB-AP), que falou sobre ética, mandou um recado: "A ética é meio, e não fim". Renan iniciou seu discurso dizendo que não pleiteou cargo nenhum para, em seguida, passar a enumerar aspectos de seu programa de governo. "Vamos criar a secretaria de Transparência, sem custo adicional para o Senado", prometeu. Também disse que pretende montar um banco de dados sobre as dívidas dos Estados, como forma de, segundo ele, agilizar as votações de temas tributários.

Abaixo, notícias anteriores sobre a eleição:

247 – O senador Pedro Taques (PDT-MT) ocupou a tribuna para defender sua candidatura contra a do favorito Renan Calheiros (PMDB-AL). E pronunciou um grande discurso. “Ocupo a tribuna para dizer que sou um perdedor. Minha derrota é certa, é transparente, é aritmética”. Em seguida, porém, citou Tiradentes e Ulysses Guimarães também como “grandes perdedores”. Disse também que “São Paulo foi um derrotado, degolado pelos romanos por ter levado a palavra de Cristo a Roma”. Ele criticou muitas vitórias, como a “do general Pirro”, que bateu os romanos mas viu seu próprio exército sofrer excessivamente.

“Vou distribuir a relatoria dos projetos por sorteio”, disse Taques, sobre seu programa de governo. “O vencedor vai agir assim,ou distribuir esse trabalho entre os seus?”.

"Falo pelos derrotados desse País", disse Taques. "Pelo negros, pelos índios, pelas mulheres, pelos assalariados", registrou. Ele criticou diretamente o adversário Renan Calheiros: "Essa volta pode trazer velhas práticas ao Senado", disse. Taques citou Darcy Ribeiro: "Fracassei em tudo o que tentei: alfabetizara as crianças, criar uma universidade autônoma e fortalecer o povo brasileiro, mas detestaria estar no lugar de quem me venceu".

No desfecho, Taques foi ainda mais duro: "Ouçam esse silêncio: é o silêncio do covarde, de quem tem medo. Ao senador Renan Calheiros, os meus respeitos pessoais", encerrou, arrancando alguns aplausoso do plenário.

Abaixo, notícias de 247 sobre a eleição no Senado:

247 - O senador Pedro Simon (PMDB-RS) pediu, da tribuna do Senado, a renúncia do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) à sua candidatura à presidência da Casa. "Não te mete nessa, Renan", disse Simon, que prevê uma crise institucional com a eleição do colega de partido. O Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, tem processo pronto contra Renan para dar entrada no Supremo Tribunal Federal. A acusação é o uso de laranjas para a compra de um grupo de comunicação de Alagoas -- a mesma acusação que levou Renan, em 2007, a renunciar à presidência do Senado.

Em seguida, porém, o senador Lobão Filho (PMDB-MA) fez a defesa de Renan. "A coragem é para poucos homens", disse ele, incentivando o colega a manter sua posição. "É direito constitucional do PMD eleger, porque tem maioria, o presidente do Senado. Acho que escolhemos bem o senador Renan Calheiros", completou Lobão Filho.

Abaixo, notícia anterior de 247:

247 – O senador Renan Calheiros, do PMDB, começa a desfrutar do gosto adocicado da desforra. Ele é o franco favorito para, ainda na manhã de hoje, ser eleito por seu pares como presidente do Senado, depois de ter optado pela renúncia, em 2007, para não ser cassado em razão de acusações de ter usado laranjas para comprar um grupo de comunicação em Alagoas. Seu único adversário, Pedro Taques, do PDT, incomodou, mas não deverá reunir os votos necessários para fazer frente a ele. O eleito será presidente da Casa pelos próximos dois anos, o que o torna peça estratégica na sucessão presidencial de 2014.

A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) foi a primeira a discursar. O interesse do partido, com quatro senadores, é presidir uma casa comissões da Casa. Ela manifestou o apoio de sua bancada a Taques. "A forma como o PMDB conduziu o debate nos levou a essa posição", explicou ela.

O senador Cristóvam Buarque (PDT-DF) iniciou seu discurso às 10h35. Ele começou por elogiar a presidência de José Sarney no Brasil, mas disse que "precisamos admitir que a imagem do Senado, hoje, não está melhor do que estava há dois anos atrás". Para ele, "há uma unanimidade de sentimentos pela renovação, e o nome para encaminhar essa renovação é o do senador Pedro Taques".

Assim como o de Lidice da Mata, o discurso de Cristóvam igualmente não despertou grandes atenções entre os senadores. Enquanto os dois oradores falavam, os políticos estavam conversando em grupo, de pé, no plenário, certamente alinhando os últimos detalhes de suas articulações. "Ficamos acabrunhados diante de como o Brasil vê a nossa imagem", finalizou Cristóvam.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) reclamou das conversas entre os políticos. "Do que jeito que está é ridiculo. O cara está falando e ninguém está prestando atenção. Esta fazendo papel de bobo", cravou Simon, pedindo a Sarney para que exija silêncio entre os senadores. "Está uma balbúrdia. Não ouvi nada do que o senador Cristóvam falou".

Após a puxada de orelha, a palavra vai para o senador Vital do Rego (PMDB-PB). Ele é o primeiro a defender a candidatura de Renan Calheiros. O candidato chegou ao plenário do Senado às 10h43, cumprimentando os políticos.

"Vossa Excelência pacificou essa Casa, trouxe modernidade e transferência para o Senado", disse Vital do Rego referindo-se a Sarney. "Mas Vossa Excelência não estaria nessa cadeira se não fosse o PMDB".

"A ética na política veio para ficar", disse, em seguida, também na tribuna, o senador Rodrigo Rollemberg (PDT-DF). "Por isso, vamos votar em Pedro Taques".

O senador João Capiberibe (PSB-AP) fez um dircurso mais duro. "Oxigenar o Senado é uma necessidade de sobrevivência", disse ele. "O Senado é refém do Executivo e vê a Suprema Corte a corrigir os nossos erros", completou.

Pelo PMDB, o senador Sérgio Souza (PR) ocupou a tribuna para defender Renan. "Acompanhamos pela imprensa as questões do momento, que se referem muito mais à vida particular do que pública do senador Renan Calheiros. Sua competência será fundamental para o Senado".

Apoiador da candidatura de Pedro Taques, o senador Antonio Carlos Valadares (PSB/SE) iniciou seu discurso dizendo que Sarney cumpriu uma "presidência primorosa" na Casa. Para ele, Taques daria continuidade ao trabalho desenvolvido. "O embate que vai se dar no voto representa o desejo de que a escolha da Mesa seja o desejo da maioria do Senado", completou. Para ele, "um mesmo partido governando a Câmara e o Senado desequilibra as forças no Congresso", avançou, referindo-se ao favoritismo do PMDB para eleger Renan net sexta-feira 1 e, na segunda-feira 4, o deputado Henrique Alves (RN) para presidente da Câmara.

Pelo PSDB, Álvaro Dias (PR) informou que o partido entregou um documento ao candidato Pedro Taques com reivindicações para serem levadas em conta durante sua gestão. "É preciso reconhecer que há motivos para o achincalhe do Senado pela sociedade", disse. "Nós confiamos na postura ética do senador Pedro Taques para levar essa Casa para um novo tempo".

 

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