Temer sobre ministros: ‘Acho que não teremos mais problemas’

Em entrevista nesta quarta-feira 22 à rádio Jovem Pan, o presidente interino avaliou que não deve haver novos problemas que levem à demissão de ministros de seu governo; "Eu acho que não [haverá novas demissões]. Realmente, os que caíram, até devo registrar, pediram demissão. Eles tinham um sentido de colaboração, mas claro que eu ia fazer uma avaliação. Neste sentido de colaboração, eles vieram a mim logo que apareceu algo", afirmou; "Acho que não teremos mais problemas, mas acho que isso não pode atrapalhar a governabilidade nem a confiança no país", completou

Brasília - DF, 20/06/2016. Presidente em Exercício Michel Temer durante reunião com governadores das unidades federativas do Brasil. Foto: Marcos Corrêa/PR
Brasília - DF, 20/06/2016. Presidente em Exercício Michel Temer durante reunião com governadores das unidades federativas do Brasil. Foto: Marcos Corrêa/PR (Foto: Gisele Federicce)

247 – O presidente interino, Michel Temer, acredita que não deve mais haver problemas – no caso, denúncias da Lava Jato – que levem a demissões de ministros de seu governo. Em 35 dias, três ministros caíram após terem sido citados em áudios divulgados na investigação: Romero Jucá, Fabiano Silveira e Henrique Alves.

"Eu acho que não [haverá novas demissões]. Realmente, os que caíram, até devo registrar, pediram demissão. Eles tinham um sentido de colaboração, mas claro que eu ia fazer uma avaliação. Neste sentido de colaboração, eles vieram a mim logo que apareceu algo", disse Temer, em entrevista nesta quarta-feira 22 à rádio Jovem Pan.

"Acho que não teremos mais problemas, mas acho que isso não pode atrapalhar a governabilidade nem a confiança no país", completou o peemedebista.

Temer também afirmou que acredita que o impeachment do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não deve ser levado adiante no Senado. A análise do pedido é uma pauta defendida pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-RJ), que foi alvo de um pedido de prisão do PGR. Desde então, ele tem criticado a atuação de Janot e chamou o pedido de "ridículo".

"Acho que não vale a pena. Esse parece que esse já é o sexto pedido de impeachment. Tenho a sensação de que não irá adiante", declarou Temer. Atualmente, Renan aguarda um parecer da advocacia-geral do Senado sobre o pedido.

Leia reportagem da agência Reuters sobre o assunto: 

Temer diz que governo pode renegociar em breve dívidas de Estados com BNDES

O presidente interino Michel Temer disse nesta quarta-feira que o governo federal tem estudos avançados para oferecer aos Estados uma renegociação de dívidas contraídas junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em especial financiamentos voltados a obras da Copa do Mundo de 2014.

"Faltam apenas estudos de natureza jurídica. Esse assunto foi levantando na reunião que fizemos com os governadores e havia alguns impedimento jurídicos, vamos tentar uma interpretração que garanta a inserção desse tema também na renegociação com os Estados", disse Temer em entrevista à rádio Jovem Pan.

"Devo dizer... que esses estudos estão avançados, penso que logo poderei chamar os Estados, especialmente aqueles onde se verificou a construção de estádios para a Copa do Mundo, para eventualmente renegociar essas dívidas."

Como já havia falado em entrevista à GloboNews, divulgada na noite de terça-feira, o presidente interino ressaltou a importância do diálogo com o Congresso Nacional e a existência de uma base governista sólida.

"Hoje nós temos uma base muito consolidada no Congresso Nacional, uma base, convenhamos, que há muito tempo não se verificava", disse. "Essa base sólida, com quem eu dialogo permanentemente, está disposta a partilhar conosco, com o Executivo, a tentativa de tirar o país da crise."

À GloboNews, Temer voltou a negar que tenha pedido qualquer verba para o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado na campanha eleitoral de 2012.

"Você acha que eu iria me servir dele tendo, com toda a modéstia, o prestígio que tenho hoje no cenário nacional para falar com empresário?", disse Temer na entrevista. "Vou dizer a você, os empresários falam e falavam comigo permanentemente."

O ex-presidente da Transpetro acusou Temer de tê-lo procurado em busca de doações para a campanha de Gabriel Chalita (então do PMDB, o partido de Temer) à Prefeitura de São Paulo. Machado teria conseguido 1,5 milhão de reais em doação de uma empreiteira, feita oficialmente. O delator, no entanto, afirmou que quem recebia os recursos sabia que eles tinham origem ilícita.

O presidente interino já havia rebatido as declarações de Machado, que constam de sua delação premiada no âmbito da operação Lava Jato, por meio de nota e em um pronunciamento.

O presidente interino aproveitou as duas entrevistas para voltar a reforçar sua posição de defesa da Lava Jato e não interferência entre os três Poderes.

Nesta manhã também disse que não vale a pena o impeachment do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que tem sido criticado por vários políticos, por conta das investigações comandadas por ele.

Na terça, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), alvo de pedido de prisão por Janot que foi negado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), disse que encaminhou à Advocacia-Geral do Senado um pedido de impeachment do procurador-geral, para análise.

Ao comentar a possibilidade de comparecer na abertura dos Jogos Olímpicos do Rio como presidente interino, Temer disse que seria melhor se o processo de impeachment contra a presidente afastada Dilma Rousseff pudesse ser resolvido antes disso.

INTERINIDADE E REFORMAS

Apesar de afirmar várias vezes que tem atuado como um presidente definitivo, pelos interesses do país, Temer disse que só irá pleitear a reforma da Previdência depois que terminar o período de interinidade.

"Depois da decisão do Senado, abra-se um campo muito mais vasto para a governabilidade. Então, certas questões que neste momento ainda não deu tempo de tratar, eu tratarei depois", disse. "Eu acho que só poderei pleitear uma reforma da Previdência se tiver a efetivação."

Ele prometeu incentivar uma reforma política, ao comentar os efeitos que a Lava Jato tem tido sobre o sistema político.

"Eu não vou exatamente fazer (a reforma política) porque isso é uma atividade legislativa, mas vou incentivar, vou incentivar muitíssimo", afirmou à GloboNews.

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