Brasília: o sonho que deu certo

O DF contribuiu, e muito, para o salto da participação do Centro-Oeste no PIB nacional: de 2,46% em 1960 para 9,28%, em 2007.

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Ao sobrevoar Brasília de volta do Maranhão, onde fui me despedir de minha querida mãe, um olhar diferente me fez admirar o iluminado formato de avião que desenha a cidade: minha há tantos anos, ela me pareceu mais aconchegante e linda que sempre.

Imaginei onde estaria eu hoje se Juscelino Kubitscheck não tivesse tido a coragem e a liderança que demonstrou de transformar em realidade o traço firme e simbólico de Lúcio Costa, duas retas cruzadas, uma delas arqueada, para tomar posse da imensidão intocada do Planalto Central.

Como viajante de uma máquina do tempo, me vi observador de uma outra viagem. Numa manhã de dois de outubro de 1956, pousa numa pista improvisada, no Planalto Central, um avião da FAB trazendo o presidente Juscelino Kubitscheck.

Na comitiva presidencial o ministro da Guerra, general Lott, o governador da Bahia, Antonio Balbino, o ministro da Viação, Almirante Lúcio Meira, o arquiteto Oscar Niemeyer e a diretoria da Novacap.

Olhando fotos da época imagino o que passou pela cabeça daqueles homens ao olhar aquele imenso horizonte de cerrado virgem, longe de tudo, sem estradas, energia ou sistemas de comunicação.

Em seu livro Por que construí Brasília, Juscelino conta que o general Lott, totalmente desconcertado diante daquela visão, perguntou alguns minutos depois de descer do avião: presidente, o senhor vai mesmo construir Brasília?

Muito antes deles, em junho de 1892, vinte e dois homens acreditaram que aqui um dia estaria a nova capital. Partiram de trem, com destino a Uberaba, Minas Gerais, carregando dez toneladas de equipamento, lunetas, teodolitos, sextantes, barômetros e material fotográfico para demarcar a área da futura capital no Planalto Central.

A partir de Uberaba, seguiram em cavalos e mulas, passando por Catalão, Pirenopólis e Formosa. Formada por biólogos, botânicos, astrônomos, geólogos, médicos e militares, a Expedição Cruls percorreu mais de quatro mil quilômetros durante sete meses de caminhada desbravando as belezas do Cerrado do Planalto Central.

A demarcação esperou 65 anos até a visita de um presidente do Brasil que finalmente iria transferir a capital para o Planalto Central. Juscelino levou três anos para inaugurar Brasília. E Brasília em 52 anos mostrou ao que veio. Sua construção mudou o Brasil aos olhos do mundo e trouxe conseqüência positivas para o Centro-Oeste.

Brasília funciona hoje como pólo econômico para toda uma ampla área do interior do Brasil, que ultrapassa as fronteiras da região Centro-Oeste.

A população do Centro-Oeste, que representa 7,83% da população nacional, gera 9,28% do PIB do país. A região Centro-Oeste encontra-se hoje acima da média brasileira, em termos de renda per capta, e isso se deve fundamentalmente ao efeito direto de Brasília.

O estudo do IPEA, Impactos econômicos da capital no Centro-Oeste e no País mostra que a transferência da capital para o interior do Brasil foi acertada. “A proposição inicial de Juscelino Kubitschek cumpriu-se em ampla medida”, afirma o documento.

Segundo o Ipea, a região onde atualmente se situa Brasília representava até 1960 pouco mais de 1% do PIB da região Centro-Oeste. Já em 2007, esse valor pulou para impressionantes 40% do PIB regional, contribuindo também para o salto da participação do Centro-Oeste no PIB nacional: de 2,46% para 9,28%, entre 1960 e 2007.

O Distrito Federal não é mais aquela região do Planalto Central que assustou o general Lott naquela manha de outubro de 1956. O sonho de Dom Bosco, de tantos brasileiros e de Juscelino se transformou em realidade. Brasília é uma cidade moderna, e cosmopolita. E nós moradores do DF temos muito o que comemorar nos seus 52 anos.

Dep. Chico Vigilante

Líder do Bloco PT/PRB

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