Correio publica crônica sobre “estagiária gostosa” e gera indignação

O Correio Braziliense publicou uma crônica que está gerando indignação. Guilherme Goulart, que assina o texto, na editoria de Cidades, fala sobre uma suposta estagiária do jornal, identificada como Melissa (ou Melissinha); Guilherme fala sobre a chegada de Melissa ao veículo; “Decotinho perverso, coxas de fora, pezinhos docemente acomodados em sandalinhas rasteiras; depois, o jornalista diz que o único defeito de Melissa era um namorado"; na página do 'Jornalistas contra o Assédio' consta uma nota de repúdio à crônica

O Correio Braziliense publicou uma crônica que está gerando indignação. Guilherme Goulart, que assina o texto, na editoria de Cidades, fala sobre uma suposta estagiária do jornal, identificada como Melissa (ou Melissinha); Guilherme fala sobre a chegada de Melissa ao veículo; “Decotinho perverso, coxas de fora, pezinhos docemente acomodados em sandalinhas rasteiras; depois, o jornalista diz que o único defeito de Melissa era um namorado"; na página do 'Jornalistas contra o Assédio' consta uma nota de repúdio à crônica
O Correio Braziliense publicou uma crônica que está gerando indignação. Guilherme Goulart, que assina o texto, na editoria de Cidades, fala sobre uma suposta estagiária do jornal, identificada como Melissa (ou Melissinha); Guilherme fala sobre a chegada de Melissa ao veículo; “Decotinho perverso, coxas de fora, pezinhos docemente acomodados em sandalinhas rasteiras; depois, o jornalista diz que o único defeito de Melissa era um namorado"; na página do 'Jornalistas contra o Assédio' consta uma nota de repúdio à crônica (Foto: Leonardo Lucena)

Brasília 247 - O Correio Baziliense publicou nesta segunda-feira (11) uma crônica que está gerando indignação. Guilherme Goulart, que assina o texto, na editoria de Cidades, fala sobre uma suposta estagiária do jornal, identificada como Melissa (ou Melissinha).

Na crônica, Guilherme fala sobre a chegada de Melissa ao veículo. "Decotinho perverso, coxas de fora, pezinhos docemente acomodados em sandalinhas rasteiras. Como se estivesse em uma passarela, a mocinha de 19 anos – recém feitos – desfilou a balançar os quadris para lá e para cá, para cá e para lá", diz o parágrafo inicial.

“Melissa se apresentou à coordenação de pauta da editoria de Cidades no início tarde, horário de repórter na rua. Mas os poucos representantes da fauna masculina não decepcionaram o restante da matilha. Viraram o pescoço em direção à loura-violão e acompanharam, atentos, ao primeiro boa-tarde cantado da nova estagiária da empresa”, continua.

Depois, o jornalista diz que o único defeito de Melissa era um namorado.

Repercussão

Na página do 'Jornalistas contra o Assédio' consta uma nota de repúdio à crônica. "Mais que um pedido de desculpas, esta é a prova de que o machismo, definitivamente, é um marketing ruim.  A alegada mea culpa do autor não põe por terra, entretanto, nem os relatos que nosso coletivo tem recebido de mulheres que passaram pela redação do Correio Braziliense - relatos, por sinal, pouco animadores -, muito menos a responsabilidade do jornal em publicar um material que naturaliza e reforça o assédio sexual", diz o texto. 

"Tanto quanto a conduta individual, é preciso estar atento à ação coletiva dos veículos. E isso está longe de ser questão de interpretação, como sugeriram o Correio e seu editor cronista. Credibilidade, assim como o texto jornalístico, exigem objetividade. Azar de quem aprende isso aos trancos".

No twitter, a repercussão também foi negativa. "Então quer dizer que é assim que as estagiárias do @correio são vistas?", questionou uma pessoa identificada como Isabela Bottino.

"Sobre assédio, desrespeito e falta de vergonha contra todas nós. Vergonha esse artigo publicado hoje no @correio", disse Lara Lemos.

"Inacreditável isso. No site e no impresso do Correio Braziliense", disse Nathalia Perez.

Outro lado

Goulart publicou nesta terça-feira (12) um novo texto, intitulado "Um erro sem perdão", dizendo que a proposta da crônica era explicitar que o "o problema do assédio às mulheres continua sendo uma realidade apavorante e assustadora". Melissa é uma personagem fictícia, de acordo com o jornalista.

A crônica foi publicada tanto na edição impressa do jornal, quanto no site, mas a versão online já foi retirada do ar.

Apesar de dizer que seu texto foi interpretado erroneamente, o Goulart pediu desculpas. "[…] constrangi a minha mãe, as minhas avós, a minha mulher, as minhas filhas, as minhas amigas, as minhas colegas de trabalho, enfim, todas as mulheres. Reconheço o meu erro e aceito todas as consequências disso".

Na capa da versão impressa, o Correio Braziliense declarou que “errou ao publicar a crônica ‘A estagiária'” e pediu desculpas aos leitores. 

 

 

 

 

 

 

 

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