Graça Foster: esquema de corrupção “se formou fora da Petrobras”

Pela quinta vez no Congresso para prestar depoimento sobre a Petrobras, a ex-presidente da estatal disse hoje à CPI que o esquema era algo externo à empresa; Graça Foster também disse que o TCU melhorou a gestão da empresa, mas quem descobriu a corrupção foi a polícia; segundo ela, as perdas de R$ 88 bilhões da Petrobras, registradas no balanço apresentado em janeiro, não foram causadas por corrupção

Pela quinta vez no Congresso para prestar depoimento sobre a Petrobras, a ex-presidente da estatal disse hoje à CPI que o esquema era algo externo à empresa; Graça Foster também disse que o TCU melhorou a gestão da empresa, mas quem descobriu a corrupção foi a polícia; segundo ela, as perdas de R$ 88 bilhões da Petrobras, registradas no balanço apresentado em janeiro, não foram causadas por corrupção
Pela quinta vez no Congresso para prestar depoimento sobre a Petrobras, a ex-presidente da estatal disse hoje à CPI que o esquema era algo externo à empresa; Graça Foster também disse que o TCU melhorou a gestão da empresa, mas quem descobriu a corrupção foi a polícia; segundo ela, as perdas de R$ 88 bilhões da Petrobras, registradas no balanço apresentado em janeiro, não foram causadas por corrupção (Foto: Gisele Federicce)

Agência Câmara - A ex-presidente da Petrobras Maria das Graças Foster disse que o esquema de corrupção na empresa "se formou fora da Petrobras". Ela disse isso ao responder pergunta do relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), a respeito das ações de controle sobre a empresa, feitas pelo Tribunal de Contas da União, bem como as auditorias externas feitas pela empresa Price Waterhouse.

Luiz Sérgio lembrou que o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli também disse à CPI que a corrupção era algo externo à empresa.

O relator perguntou a Graça Foster se procediam as afirmações atribuídas aos delatores da Operação Lava Jato Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef e Pedro Barusco de que as licitações na Petrobras eram feitas de maneira muito correta.

"Não conheço caso em que diretores da Petrobras tivessem tido informações de vencedores de licitações antes da abertura dos envelopes de propostas", disse Foster ao negar o vazamento de informações privilegiadas.

Perdas da Petrobras de R$ 88 bi não foram causadas por corrupção

Graças Foster considerou como "justo" o valor contábil de R$ 88 bilhões referentes a perdas da Petrobras, conforme balanço da empresa apresentado ao Conselho de Administração da Petrobras em janeiro último.

A ex-presidente da estatal, que continua depondo na CPI da Petrobras, negou, porém, que esse valor corresponda a perdas com corrupção verificadas pela Operação Lava Jato. "Esses R$ 88 bilhões representam o valor justo por conta de uma série de ineficiências, até mesmo por causa de chuva e outros, não são o número da corrupção", disse à CPI da Petrobras.

"Eu defendi na ocasião que o mercado deveria ser informado deste valor, mesmo que a metodologia usada para fazer o cálculo seja questionada", disse Graça Foster. "A presidente Dilma Roussef pediu para a senhora não divulgar este balanço?", perguntou o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). "Não, a presidente nunca me pediu isso", ela respondeu.

Lorenzoni também questionou a ex-presidente da Petrobras a respeito da afirmação feita pela ex-funcionária da Petrobras Venina Velosa de que teria alertado Graça Foster a respeito de corrupção na Petrobras. A ex-presidente da Petrobras voltou a dizer que não foi informada de irregularidades.

'TCU melhorou gestão da Petrobras, mas quem descobriu corrupção foi a polícia'

Graça Foster disse que os órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União, melhoraram a gestão da estatal, mas acrescentou que a corrupção na empresa foi descoberta pela polícia.

"O grande descobridor foi a Polícia Federal, não foram os auditores nem a própria empresa que descobriu", disse ela, ao responder pergunta do relator da CPI da Petrobras, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ).

Ela disse que a Price Waterhouse, empresa de auditoria contratada pela Petrobras, avalizou sem ressalvas as contas da empresa a respeito do primeiro trimestre de 2014. Ela acrescentou que a Price só mudou o parecer depois da divulgação dos depoimentos dos delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef.

O deputado Nilson Leitão (PSDB-MT) questionou as perguntas do relator à ex-presidente da empresa a respeito da saúde financeira da Petrobras e do mercado de petróleo mundial. "Estamos aqui para investigar corrupção na Petrobras", disse o deputado.

O presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), no entanto, respondeu que o relator tem o direito de fazer as perguntas que quiser, pelo tempo que desejar.

Ao responder as perguntas de Luiz Sérgio, Graça Foster disse que o câmbio é, hoje, um dos grande problemas da empresa. "O dólar acima de R$ 3 é muito ruim para a Petrobras", disse ela.

Foster: contratos aditivos são usados para corrigir deficiências de projetos básicos

A ex-presidente da estatal disse que os aditivos firmados com empresas contratadas para a execução de obras tinham como origem a deficiência dos projetos básicos. Estes aditivos multiplicavam os custos dos projetos.

Graça Foster disse que isso aconteceu na construção da refinaria Abreu e Lima, que teve custo inicial estimado em 2,5 bilhões de dólares, valor que subiu para 18,5 bilhões de dólares ao final da construção. "Se você não tem projetos básicos de qualidade, você vai ter aditivos. Na Abreu e Lima a questão principal foram as mudanças sucessivas no projeto. Até as características do petróleo que seria refinado ali mudaram durante o processo", explicou.

Ao ser questionada pelo relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), sobre a criação da empresa Gasene - uma sociedade para fins específicos (SPE) aberta para construir um gasoduto entre o Espírito Santo e a Bahia - a ex-presidente disse que tinha "vergonha" do projeto em função da descoberta de propinas pagas pelas empresas contratadas a diretores da Petrobras. "Tenho orgulho de ter participado disso, mas tenho vergonha também", explicou.

Ela admitiu que o gasoduto acabou custando 20% a mais que o previsto. "Mas eu considero este adicional razoável. O valor justo do Gasene supera em alguns bilhões o valor contábil. Isso significa que não tivemos prejuízo com o Gasene", disse ela.

Cancelei contratos com a SBM Offshore depois das denúncias de propina, diz Graça Foster

Graça Foster disse que mandou cancelar todos os contratos da Petrobras com a empresa holandesa SBM Offshore assim que soube do pagamento de propinas a diretores pelo empresário Bruno Chabas, representante da própria SBM. "Eu disse a ele que cancelaria os contratos se ele não me dissesse quem pagou propina a quem, o que acabei fazendo", disse, ao responder pergunta do relator da CPI da Petrobras, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ). Ela afirmou ter testemunhas da conversa com Chabas.

Ela afirmou que a Petrobras analisou todos os contratos com a SBM, sem identificar sobrepreço ou indícios de corrupção. "Eu não consigo imaginar como pode ser verdadeira a fala do (Pedro) Barusco (ex-gerente de Tecnologia da Petrobras, que fez delação premiada) de que ele, sozinho, recebia propina. Até hoje não temos um retrato oficial da propina da SBM. Só temos a fala do Barusco. A Petrobras fez investigações nos contratos com a SBM: fomos à CGU, ao MPF (Ministério Público Federal), à Holanda e eles entendem que não sabem quem pagou propina para quem", disse a ex-presidente da empresa.

Barusco disse, à Justiça Federal, que começou a receber propina da SBM em 1997 ou 1988, enquanto ocupava o cargo de gerente de Tecnologia de Instalações da Diretoria de Exploração e Produção da Petrobras. Como os contratos eram de longa duração, ele admitiu ter recebido propina regularmente até 2003, período em que era gerente de Tecnologia de Instalações. De 1997 (ou 1998) a 2010, disse ter recebido US$ 22 milhões de propina por conta de contratos entre a Petrobras e a SBM, dinheiro depositado em contas no exterior operadas por Júlio Faerman, representante da empresa.

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