Rosa Weber rejeita pedido da PGR de aguardar fim da CPI para decidir se investiga Bolsonaro

Para a ministra do STF, a PGR não precisa esperar a conclusão da CPI para se manifestar e investigar Bolsonaro por possível prevaricação. Weber afirma ainda que, ao considerar precoce sua atuação, o órgão "desincumbiu-se de seu papel constitucional" no sistema de apuração

Rosa Weber e Bolsonaro
Rosa Weber e Bolsonaro (Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF | Marcos Corrêa/PR)
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Reuters - A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) de aguardar o fim da CPI da Covid para decidir sobre o pedido apresentado por senadores de oposição para investigar o presidente Jair Bolsonaro por prevaricação em razão do episódio envolvendo a compra de vacinas contra Covid-19 Covaxin.

Para a ministra do STF, a PGR não atua de forma condicionada quando é provocada, isto é, não precisa esperar a conclusão da CPI para se manifestar. Destacou ainda que, ao considerar precoce sua atuação, o órgão "desincumbiu-se de seu papel constitucional" no sistema de apuração.

"De início, registro que o argumento 'saltitante' não prospera", disse.

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"Não há no texto constitucional ou na legislação de regência qualquer disposição prevendo a suspensão temporária de procedimentos investigatórios correlatos ao objeto da CPI. Portanto, a previsão de que as conclusões dos trabalhos parlamentares devam ser remetidas aos órgãos de controle não limita, em absoluto, sua atuação independente e autônoma", disse a ministra.

"O exercício do poder público, repito, é condicionado. E no desenho das atribuições do Ministério Público, não se vislumbra o papel de espectador das ações dos Poderes da República", acrescentou a ministra em sua decisão.

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Na segunda-feira, o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e outros dois senadores apresentaram uma notícia-crime ao STF para investigar Bolsonaro por prevaricação no caso da vacina indiana. Argumentam que ele, após ter sido informado de supostas irregularidades, não tomou providências para impedi-las.

O governo negou irregularidades e disse que o presidente remeteu o caso para análise do então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que nada encontrou. 

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