Temer deve afundar ainda mais o Itamaraty com Aloysio Nunes

Depois do fiasco da gestão de José Serra no Itamaraty, que conseguiu fazer o Brasil brigar com vários vizinhos, sem conseguir sequer o respeito dos Estados Unidos, Michel Temer deve afundar ainda mais a política externa, indicando o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) para o seu lugar, de acordo com a agência Reuters; ainda mais agressivo do que Serra, Aloysio pode ter vida curta no Itamaraty, caso seja mesmo indicado, uma vez que também está nas delações das empreiteiras, como Odebrecht e Camargo Corrêa; pela primeira vez na história, Brasil pode ter um pitbull no comando da diplomacia

Senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) analisa pedidos de licença para contratação de operação de crédito externo em favor dos estados do Rio Grande do Sul e do Paraná, no montante de 260 milhões de dólares
Senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) analisa pedidos de licença para contratação de operação de crédito externo em favor dos estados do Rio Grande do Sul e do Paraná, no montante de 260 milhões de dólares (Foto: Leonardo Attuch)

247 – Depois do fiasco da gestão de José Serra no Itamaraty, que conseguiu fazer o Brasil brigar com vários vizinhos, sem conseguir sequer o respeito dos Estados Unidos, Michel Temer deve afundar ainda mais a política externa, indicando o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) para o seu lugar, de acordo com a agência Reuters.

Ainda mais agressivo do que Serra, Aloysio pode ter vida curta no Itamaraty, caso seja mesmo indicado, uma vez que também está nas delações das empreiteiras, como Odebrecht e Camargo Corrêa.

Abaixo a reportagem da Reuters:

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Michel Temer deve definir até o final desta semana o novo ministro das Relações Exteriores e o nome mais provável, até agora, é o do senador tucano Aloysio Nunes Ferreira (SP), líder do governo no Senado, disseram à Reuters fontes palacianas nesta quarta-feira.

De acordo com uma das fontes, o PSDB - que tinha a vaga no Itamaraty até a saída de José Serra, na semana passada - apresentou três possibilidades: Aloysio Nunes, o embaixador do Brasil em Washington, Sérgio Amaral, e o também senador Antonio Anastasia (MG).

Anastasia já teria informado ao partido que não tem interesse na vaga e a tendência da sigla é reafirmar a indicação de Aloysio, já que Amaral, apesar das ligações históricas com o PSDB - foi porta-voz de Fernando Henrique Cardoso na Presidência - é um nome técnico e não político.

De acordo com uma das fontes, Temer deve conversar com o próprio Aloysio e com os caciques do PSDB ainda esta semana para fechar o nome do senador.

"O presidente quer anunciar o nome no máximo até a segunda-feira, possivelmente antes, para dar posse aos ministros na próxima semana", disse a fonte, incluindo na lista o novo titular da Justiça, Osmar Serraglio, indicado na semana passada.

PADILHA

Temer deve resolver o problema causado pela saída repentina de Serra nesta semana, mas nos próximos dias terá que encarar outra crise, a causada pelas entrevistas dadas pelo advogado José Yunes, seu amigo pessoal, afirmando que o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, foi o responsável por ter mandado o doleiro Lucio Funaro entregar documentos em seu escritório.

Yunes era assessor especial de Temer e deixou o cargo no ano passado depois que vazou a delação premiada de Claudio Melo Filho, ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, na qual o ex-executivo da empreiteira teria dito que Yunes recebeu dinheiro vivo, parte de recursos que teriam sido solicitados por Temer ao então presidente da construtora, Marcelo Odebrecht.

Padilha ainda está internado em um hospital de Porto Alegre, depois de ter passado por uma cirurgia para retirada da próstata. Deve ter alta apenas na quinta-feira, de acordo com informações passadas por fontes palacianas.

"O presidente vai esperar ele voltar para falar com ele. É preciso dar um tempo para ele falar antes de fazer um julgamento", disse uma das fontes.

Um outro assessor palaciano admite, no entanto, que a situação de Padilha é "delicada" e a licença médica do ministro veio a calhar.

Inicialmente, o titular da Casa Civil voltaria a Brasília na próxima segunda-feira, mas como ainda está hospitalizado, dificilmente poderá voltar ao trabalho em quatro dias. O governo joga com a licença médica do ministro para esperar a crise esfriar e decidir se Padilha tem ou não condições de continuar no governo.

No entanto, o próprio Yunes não tem deixado o assunto morrer, dando entrevistas e oferecendo seu sigilo telefônico para comprovar que conversou com Padilha.

A atuação do ex-assessor especial da Presidência irritou o Planalto. Yunes esteve com Temer na quinta-feira da semana passada, quando a capa da revista Veja - primeira a falar com o advogado - começou a circular pelas redes sociais. Ainda assim, Yunes não contou a Temer sobre a entrevista. Havia mencionado anteriormente apenas seu depoimento ao Ministério Público, no dia 14 de fevereiro.

Desde então, conta a fonte, o advogado não esteve mais em Brasília nem procurou Temer, de quem é amigo há décadas.

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