‘A crise no Brasil tem nome: Temer’, afirma deputada que apoiou o golpe

Apoiadora do golpe contra Dilma Rousseff, a deputada federal Eliziane Gama (PPS-MA) agora afirmou que a crise política no País é consequência da continuidade de Michel Temer no Palácio do Planalto; “A crise que o Brasil vive tem nome: é Temer. E a crise vai continuar. Este é um governo precário. O mais coerente é a gente finalizar este processo e colocar o Brasil nos trilhos e sair deste momento de crise política, econômica e de ética. Por isto, vamos votar pela admissão desta denúncia”, disse; Temer foi o primeiro presidente denunciado por corrupção na história do País e, segundo pesquisa CUT/Vox Populi, 93% dos eleitores querem que ele seja investigado

Eliziane Gama 
Eliziane Gama  (Foto: Leonardo Lucena)
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Maranhão 247 - A deputada federal Eliziane Gama (PPS-MA) afirmou nesta quarta-feira (2) que a crise política no País é consequência da continuidade de Michel Temer no Palácio do Planalto.

“A crise que o Brasil vive tem nome: é Temer. E a crise vai continuar. Este é um governo precário. O mais coerente é a gente finalizar este processo e colocar o Brasil nos trilhos e sair deste momento de crise política, econômica e de ética. Por isto, vamos votar pela admissão desta denúncia”, disse ela no plenário da Câmara.

A congressista lembrou que, mesmo se Casa não autorizar o STF a processar Temer, o peemedebista será alvo de novas denúncias. Além de corrupção passiva, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusou Temer de organização criminosa e obstrução judicial.

Segundo a parlamentar, uma eventual não autorização dos deputados para que o STF julgue Temer não acaba com a instabilidade política. “Não sabemos o que virá com a delação do Cunha e do Funaro”, disse Eliziane, fazendo referência ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na operação Lava Jato, e ao corretor Lúcio Funaro. As colaborações premiadas dos dois deve implodir o governo Temer.

Preso desde julho do ano passado, Funaro é alvo de ação penal por fraudes no Fundo de Investimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FI-FGTS) junto com Eduardo Cunha. O doleiro está negociando delação premiada com o Ministério Público.

Acusações contra Temer

Temer foi citado na delação dos donos da JBS, os empresários Joesley Batista e seu irmão Wesley. Os delatores afirmaram que o peemedebista indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS).

Depois, o parlamentar foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley. O empresário disse a Temer que estava dando ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: "Tem que manter isso, viu?".

Após ser denunciado, uma reportagem de Época deste último final de semana apontou que Temer mandou a JBS entregar R$ 3 milhões, em dinheiro vivo, ao ex-deputado Eduardo Cunha. "Pode fazer", disse Temer ao ex-diretor da JBS, Ricardo Saud, segundo a matéria (leia aqui). A propina era parte de um acerto de propina de R$ 15 milhões entre a empresa e o PMDB.

Mal nas pesquisas

Levantamento feito pelo Instituto Vox Populi entre 29 e 31 de julho revela que nada menos que 94% dos brasileiros desejam que Michel Temer seja investigado pela denúncia apresentada pelo procurador-geral Rodrigo Janot.

Pesquisa Ibope, divulgada na última quinta-feira (27), apontou que apenas 5% dos brasileiros aprovam o governo Michel Temer, a pior popularidade desde redemocratização. O percentual (ótimo/bom) de 5% é tecnicamente empatado com os 7% apurados em junho e julho de 1989, no governo do então presidente José Sarney. 

Para que a Câmara não autorize o Supremo Tribunal Federal a investigar Temer, o peemedebista fez operação que, segundo a agência alemã Deutsche Welle, poderá custar nada menos que R$ 17 bilhões (saiba mais aqui).

Apoio ao golpe

Eliziane foi uma das parlamentares que votaram pelo afastamento de Dilma Rousseff. Vale ressaltar que tanto o Ministério Público (MPDFT) quando uma perícia do Senado inocentaram a petista, em 2016.

No mês de julho do ano passado, o procurador da República Ivan Cláudio Marx, responsável pelo caso aberto no MP do Distrito Federal, pediu arquivamento do inquérito, depois de ter pedido, na última sexta-feira, arquivamento de um caso semelhante relacionado ao BNDES. Em sua decisão, Marx levantou suspeitas sobre "eventuais objetivos eleitorais" com as "pedaladas" e afirmou que o caso "talvez represente o passo final na infeliz transformação do denominado 'jeitinho brasileiro' em 'criatividade maquiavélica'".

No caso da perícia do Senado, três técnicos da Casa assinaram um documento apontando que não houve ação de Dilma no atraso do repasse de R$ 3,5 bilhões do Tesouro ao Banco do Brasil para o Plano Safra, uma das acusações que constam no pedido de impeachment contra a presidente.

"Pela análise dos dados, dos documentos e das informações relativos ao Plano Safra, não foi identificado ato comissivo da Exma. Sra. Presidente da República que tenha contribuído direta ou imediatamente para que ocorressem os atrasos nos pagamentos", diz trecho do laudo.

 



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