"A gente precisa deixar de negar que o racismo existe", diz técnico do Bahia

Uma declaração do técnico da equipe de futebol do Bahia, Roger Machado, sobre racismo viralizou no país. Em entrevista coletiva após o jogo contra o Fluminense, o técnico disse: "Negar e silenciar é confirmar o racismo. Minha posição como negro na elite do futebol é para confirmar isso”

Roger Machado e Marcão vestem camisa contra o racismo
Roger Machado e Marcão vestem camisa contra o racismo (Foto: Divulgação)

247 - O técnico da equipe de futebol do Bahia, Roger Machado, fez uma declaração no último sábado (12) que viralizou no país. Após o jogo contra a equipe do Fluminense, que também tem um técnico negro, Marcão, Roger Machado foi questionado sobre racismo e disparou: "Negar e silenciar é confirmar o racismo. Minha posição como negro na elite do futebol é para confirmar isso”. Roger e Marcão são os únicos técnicos negros da liga principal do campeonato brasileiro.

Em entrevista à Época, o técnico do Bahia aprofundou mais o tema. Ele falou mais uma vez que é preciso reconhecer o racismo para combatê-lo. "A gente precisa deixar de negar que o racismo existe. É preciso aceitar essa condição, refletir sobre isso e, conjuntamente, buscar alternativas para solucionar esse problema. Ou a gente entende que não há esse problema, o que para mim é hipocrisia, ou assume que existe racismo. Na medida em que as pessoas afirmam que não existe racismo no Brasil, a gente pelo menos precisa tentar entender o porquê de tanta desigualdade. Uma parte importante é a educação. Um cidadão educado tem a condição de discernir com mais facilidade o que é certo e o que é errado".

Roger também disse que foi muito parabenizado por sua declaração, mas ponderou que todos deveriam tratar do tema. "Não acho que deva ser parabenizado pelo que falei, sendo esse um assunto que todos deveriam abordar".

Ele ainda comentou sobre misoginia e futebol como ferramenta para questões sociais. "Acredito no futebol como uma ferramenta. Ele é meio, e não fim. O futebol tem poder de alcance muito grande, por meio da paixão e do amor. Nós vivemos estruturalmente numa sociedade cheia de preconceitos e não devemos ter vergonha de assumir que temos preconceito de algum tipo, porque nós crescemos nessa estrutura de sociedade machista. A primeira coisa que precisamos fazer para mudar é aceitar que o preconceito existe. Não falar sobre racismo, homofobia, machismo e violência doméstica não diminui os casos. Falar sobre o assunto, ter órgãos para defender a mulher, ajuda. O que falta a nossa sociedade é empatia, se colocar na condição do outro para poder entendê-lo sem julgá-lo e aceitá-lo da forma que ele é".

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