460 mil contas vão do Itaú para o Bradesco no Rio

Pagamento da folha dos servidores fluminenses se completou hoje; quase R$ 2 bi entraram nas contas que migraram; Bradesco abre 80 agncias no Estado e contrata 2 mil; portabilidade permite retorno ao Ita, que perdeu licitao e demitiu 4 mil

Marco Damiani _247 – A maior migração de contas correntes já vista no Brasil acaba de ser completada. Com o pagamento, pelo governo do Estado, da folha de salários e proventos do mês janeiro, cuja última etapa de depósitos se encerrou hoje, o contingente de 460 mil servidores públicos, aposentados e pensionistas fluminenses passa a receber por meio de contas correntes abertas no Bradesco. Antes, todas elas eram administradas pelo Itaú.

A abertura das contas foi um procedimento obrigatório, mas os funcionários públicos podem utilizar as regras de portabilidade e direcionar seus recebimentos para a antiga instituição ou outra à sua escolha. Os índices de rejeição ao novo endereço, no entanto, rondam os 5% nas avaliações informais de gerentes do próprio Bradesco.

Com um lance de R$ 1,8 bilhão, no ano passado, o banco venceu a licitação aberta para comprar o Berj, o que acarretaria o direito distribuir, entre 2011 e 2013, a folha de pagamento do funcionalismo. O Itaú, que já operava as contas, àquela altura, nos dez anos anteriores, deu o lance mais baixo entre quatro concorrentes, de R$ 590 milhões, confirmando sua inapetência para disputas.

A mudança em massa dos servidores com suas contas do Itaú para o Bradesco mexeu a fundo com o mercado de varejo financeiro do Rio. Enquanto na instituição liderada por Roberto Setúbal e Pedro Moreira Salles – o Itaú se fundiu, em 2008, com o Unibanco -- se sucedem os protestos de bancários pelas mais de quatro mil demissões ocorridas dentro das divisas do Estado -- entre eles uma “bicicleata”, na quarta-feira 1 --, o Bradesco do expert Lázaro de Mello Bradão e do tarimbado Luiz Carlos Trabuco Cappi exibe um placar com mais de duas mil contratações e abertura de 80 novas agências. Trabuco conhece o varejo financeiro fluminense como poucos. Ele presidiu a Bradesco Seguros, com sede no Rio, por três anos, e patrocinou as vitoriosas candidaturas do Cristo Redentor à condição de maravilha contemporânea e a da própria cidade a sediar as Olimpíadas de 2016. “É pé quente”, define o governador Sérgio Cabral.

O Bradesco, agora, desenvolve uma agressiva estratégia para conquistar e fidelizar os novos clientes, com incentivos que vão da liberação de juros no cheque especial por 10 dias, ofertas de brindes, compras com desconto e produtos financeiros que soam atraentes ao perfil do servidor. O Itaú, por seu lado, procura incentivar a portabilidade, estimulando seus antigos clientes a retornarem. Para um grupo financeiro que, desde o final do ano passado, declara uma estratégia de “estar presente nas grandes cidades”, como disse o presidente Setúbal, assistir ao Bradesco dar um salto de 460 mil contas abertas de uma só vez, em pleno Rio de Janeiro, não pode ser um espetáculo divertido.

 

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