Após explosão, moradores tentam recuperar objetos

A explosão que atingiu 54 imóveis e destruiu 13 deles, no bairro de São Cristóvão, deixou famílias desabrigadas, trabalhadores desempregados e comerciantes sem suas lojas; dezenas de pessoas acompanhavam de perto o trabalho de remoção dos escombros, na esperança de recuperar pelo menos alguns objetos pessoais, principalmente roupas e documentos

A explosão que atingiu 54 imóveis e destruiu 13 deles, no bairro de São Cristóvão, deixou famílias desabrigadas, trabalhadores desempregados e comerciantes sem suas lojas; dezenas de pessoas acompanhavam de perto o trabalho de remoção dos escombros, na esperança de recuperar pelo menos alguns objetos pessoais, principalmente roupas e documentos
A explosão que atingiu 54 imóveis e destruiu 13 deles, no bairro de São Cristóvão, deixou famílias desabrigadas, trabalhadores desempregados e comerciantes sem suas lojas; dezenas de pessoas acompanhavam de perto o trabalho de remoção dos escombros, na esperança de recuperar pelo menos alguns objetos pessoais, principalmente roupas e documentos (Foto: Leonardo Lucena)
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Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil

A explosão que atingiu 54 imóveis e destruiu 13 deles na madrugada do último domingo (18), no bairro de São Cristóvão, deixou famílias desabrigadas, trabalhadores desempregados e comerciantes sem suas lojas. Durante esta terça-feira (20), dezenas de pessoas acompanhavam de perto o trabalho de remoção dos escombros, na esperança de recuperar pelo menos alguns objetos pessoais, principalmente roupas e documentos.

Em frente ao local, atrás da faixa de isolamento, a copeira Ana Maria Dias observava com atenção cada item que era trazido pelos bombeiros em meio às pilhas de concreto e cimento. Aflita, ela ainda lembrava os momentos de pânico que enfrentou, junto com o marido, no momento da explosão, e contava que as duas últimas noites foram de sono agitado, causado pelo trauma.

“Tudo caiu em cima da gente. Faltou oxigênio e eu pensei que fosse morrer. Não tenho dormido bem. O tempo todo acho que vai cair algo em cima de mim. Acordei várias vezes em agonia, pensando que estava caindo o teto”, lembrou Ana Maria, que já conseguiu recuperar a medicação do marido, documentos e algumas roupas. O seu imóvel ficou demolido e ela precisou ir para a casa de uma prima na zona norte.

O gráfico Luiz Carlos dos Santos também estava aflito, tentando resgatar alguns pertences do que restou de sua casa. Ele morava atrás do restaurante e da pizzaria de onde se originou a explosão. “Minha casa caiu e estou tentando recuperar algumas coisas. Mas quem acredita em Deus tem esperança”, disse ele, que também está abrigado na casa de parentes.

Em meio ao cenário de destruição, uma surpresa. Um antigo piano, herança de família, conseguiu escapar praticamente intacto, em meio aos escombros. Felicidade para Andrea Curi. “Minha mãe me deu este piano, que era da minha infância. Eu não acreditava que ele estivesse intacto. Havia inclusive pedido aos bombeiros para guardarem algumas teclas, para ter como recordação”, disse Andrea, emocionada. O instrumento estava guardado no depósito da loja Cabral Esportes, de seu sogro, que ficou totalmente destruída.

Menos sorte teve Rosana Rosa de Jesus, que trabalhava há 30 anos na loja e subitamente se viu desempregada. “Estou sem nada. Foram 30 anos trabalhando lá, quase uma vida. Não tenho nem palavras, acho que a ficha ainda não caiu. Foi meu primeiro e único emprego”, contou Rosana, que começou a trabalhar como balconista, aos 17 anos, e atualmente era gerente. A loja funcionava fazia 75 anos no mesmo local.

O secretário de governo da prefeitura do Rio, Pedro Paulo Carvalho, disse que os indícios apontam para uma explosão a partir da pizzaria, que utilizava cilindros de gás abastecidos externamente por caminhões. “Não há dúvidas que a explosão começou na pizzaria. Há uma suspeita, por conta das evidências do tipo de explosão, causada por gás. E o fato da pizzaria ter alguns botijões abertos [quando os bombeiros chegaram] leva a essa suspeita. Mas é o laudo do Instituto [de Criminalística] Carlos Éboli que vai poder precisar isso”, disse o secretário.

Até o início da noite desta terça-feira, já tinham sido retiradas 1.145 toneladas de entulhos, transportados em 104 viagens de caminhão. O material está sendo depositado na Estação de Transferência de Resíduos do Caju e posteriormente será levado para a Central de Tratamento de Resíduos de Seropédica, município da região metropolitana.

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