Beltrame pede demissão da Secretaria de Segurança do Rio

O governo do Estado Rio de Janeiro confirmou, nesta terça-feira (11), que o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, deixará o cargo após o segundo turno da eleição municipal, no dia 30 de outubro; Beltrame pediu exoneração após dez anos no cargo; seu substituto ainda não foi escolhido; o anúncio da demissão acontece na mesma semana em que um intenso tiroteio na comunidade do Pavão-Pavãozinho levou pânico aos moradores de Copacabana; em Brasília, o governador licenciado, Luiz Fernando Pezão, admitiu que Beltrame está "cansado" após tanto tempo na função, e que por isso não poderia exigir a sua permanência dele

O secretário de segurança do Rio, José Mariano Beltrame, fala com a imprensa na saída da UPP da Providência.Completam dois anos hoje o desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
O secretário de segurança do Rio, José Mariano Beltrame, fala com a imprensa na saída da UPP da Providência.Completam dois anos hoje o desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza (Tânia Rêgo/Agência Brasil) (Foto: Gisele Federicce)

Jornal do Brasil - O governo do Estado Rio de Janeiro confirmou, nesta terça-feira (11), que o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, deixará o cargo após o segundo turno da eleição municipal, no dia 30 de outubro. Beltrame pediu exoneração após 10 anos na função. Seu substituto ainda não foi escolhido.

O governador licenciado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, admitiu que Beltrame está "cansado" após tanto tempo na função, e que por isso não poderia exigir a sua permanência dele. Pezão, que está em Brasília, falou que ainda não conversou com o secretário e que não sabe se ele tocou no assunto em reunião com o governador em exercício, Francisco Dornelles.

"Não tive a oportunidade de falar com ele. Se eu tiver a oportunidade, vou pedir para ele que fique até o fim do governo. Agora eu também não posso exigir que uma pessoa que está há 10 anos à frente da segurança pública continue. Eu me preocupo muito, porque ele está cansado."
 
Pezão destacou também que conversará com Beltrame quando voltar da licença médica, em novembro. "Ele respeitou muito a minha doença. Ele falou: 'Pezão, eu vou esperar você voltar para a gente conversar'. E eu volto em novembro".

O anúncio da demissão de Beltrame acontece na mesma semana em que um intenso tiroteio na comunidade do Pavão-Pavãozinho levou pânico aos moradores de Copacabana. Os tiros se estenderam desde a manhã até o final da tarde desta segunda-feira (10). Três suspeitos de tráfico foram mortos e três policiais militares feridos, incluindo o comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) local, capitão Vinícius de Oliveira. Foram presos oito homens, também suspeitos de ligações com o tráfico no local.

O subcomandante do Batalhão de Choque, major Vinícius Carvalho, disse que o confronto começou quando traficantes atacaram a base da UPP, mas não soube dizer o motivo que levou os criminosos a fazerem isso.

“A operação contou com 120 policiais e teve início porque os criminosos atacaram a base da UPP Pavão. Neste primeiro confronto, um marginal foi baleado, ele estava com um [fuzil] AK47. E um segundo foi baleado, com uma pistola. Na parte da tarde, vários criminosos ficaram encurralados na parte da mata, quando houve uma negociação e eles se renderam”, relatou o major.

De acordo com uma líder comunitária local, o ataque à UPP ocorreu após um jovem, que teria ligação com o tráfico, ter sido morto pela PM. “Começou a partir do momento em que esse rapaz morreu. A informação que eu tive é que um policial atirou no rosto dele, com intenção de matar. A comunidade nunca foi contra a UPP. Somos contra algumas situações que acontecem aqui, como covardia e agressão a trabalhador. Somos contra alguns policiais”, disse a liderança, que pediu para preservar seu nome por questões de segurança.

Um dos suspeitos mortos despencou de uma ribanceira com aproximadamente 50 metros, após ser alvejado por policiais. O subcomandante do Choque negou que ele tivesse sido atingido por PMs em um dos helicópteros da corporação que participava da operação e disse que a causa da morte será conhecida após a perícia.

Foram apreendidos seis fuzis, duas pistolas, munição e aproximadamente 8 quilos de cocaína, segundo a PM.

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