Cabral diz que Pezão se beneficiava da propina

O ex-governador Sérgio Cabral disse ter conhecimento de um esquema de direcionamento de licitações do Programa Bairro Novo, voltado a obras em municípios da Baixada Fluminense, em que os operadores seriam o ex-governador Luiz Fernando Pezão (MDB) e o ex-subsecretário de Obras Hudson Braga

247 - Em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal da Justiça Federal, nesta terça-feira (27), o ex-governador Sérgio Cabral disse que ter conhecimento de um esquema de propinas chamado de "taxa de oxigênio" na Secretaria de Obras do Rio de Janeiro.

Segundo ele, trata-se de um esquema de direcionamento de licitações do Programa Bairro Novo, voltado a obras em municípios da Baixada Fluminense, em que os operadores seriam o ex-governador Luiz Fernando Pezão (MDB) e o ex-subsecretário de Obras Hudson Braga.

Ainda de acordo com Cabral, o valor da chamada "taxa de oxigênio", em alguns casos, era superior a 1% dos contratos. "Eu tinha conhecimento das vantagens indevidas recebidas no âmbito da Secretaria de Obras, de como se dava essa operação. Eu sabia que no âmbito da Secretaria de Obras tinha uma estrutura de pagamentos indevidos durante o meu governo", declarou Cabral, afirmando que as "vantagens" que reebeu foram pagas "em campanhas eleitorais".

"Eu sei que havia uma estrutura [de propinas] na Secretaria de Obras. Ele [Hudson Braga] me prestava contas junto ao ex-governador Pezão. Mas eu me relacionava mais com grandes empreiteiras, não tinha relação com essas médias empresas do estado", afirmou Cabral.

O ex-goverandor citou a Oriente Construção Civil como principal agente do esquema, mas disse que não tinha controle da forma de arrecadação.

"Nesse caso específico da empresa Oriente, o empresário César Fiat foi à minha casa em 2006, e lá ele disse que iria colaborar com a minha campanha. Sabia que ele era um empreiteiro com presença no governo anterior ao meu, de Rosinha Garotinho", disse.

Ele disse ainda que seu assessor de governo, Paulo Fernando Magalhães Pinto Gonçalves, teria supostamente guardado uma cifra de R$ 6 milhões para o ex-governador Pezão e para Hudson Braga.

"O fato de ter encontrado um cartão do meu assessor Paulo Fernando, ele cuidava dos valores do Pezão e do Hudson Braga. O Paulo Fernando acautelou para eles valores indevidos na ordem de R$ 6 milhões... Paulo Fernando me informou que estava guardando um dinheiro que o Pezão e o Hudson pediram a ele", disse.

Com informações do UOL.

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