Cem policiais militares já foram mortos este ano no Rio

A morte de um  policial militar vítima de arma de fogo nesta manhã (26), em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, elevou para cem o número de policiais mortos desde o início do ano; em carta aberta o Comandante Geral da Polícia Militar (PM), Wolney Dias, disse que o sentimento é de tristeza pelas perdas e de revolta “pela omissão de grande parte da sociedade que se nega a discutir com profundidade um tema de tamanha relevância”; ele também criticou a “mídia tradicional” por estar esperando ansiosamente pelo número 100 de policiais mortos 

17/08/2017- Rio de Janeiro- RJ, Brasil- ONG Rio de Paz coloca 133 fitas pretas em referência aos 97 policiais militares assassinados e às 36 crianças vítimas de balas perdidas na capital fluminense Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
17/08/2017- Rio de Janeiro- RJ, Brasil- ONG Rio de Paz coloca 133 fitas pretas em referência aos 97 policiais militares assassinados e às 36 crianças vítimas de balas perdidas na capital fluminense Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil (Foto: Voney Malta)

Por Flávia Villela/Agência Brasil - Um policial militar foi vítima de disparos de arma de fogo nesta manhã (26), em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Este foi o centésimo policial morto desde o início do ano.

De acordo com a Polícia Militar, o agente chegou a ser levado para a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de Nilo Peçanha, em Duque de Caxias, mas não resistiu aos ferimentos. Equipes do 21ºBatalhao (São João de Meriti) estão no local para apurar mais informações e tentar localizar suspeitos.

A violência no Rio tem deixada cada vez mais vítimas, sobretudo, moradores de comunidade pobres. Somente na favela do Jacarezinho, zona norte, foram sete mortes de civis nas duas últimas semanas.

Ontem, a Justiça do Rio cancelou o mandado de busca e apreensão que permitia à polícia ingressar em qualquer residência da favela do Jacarezinho e em outras quatro comunidades da região norte da cidade. Um policial civil também foi morto na localidade na semana passada.

Por causa da violência, a Secretaria Estadual de Educação suspendeu as aulas em 15 escolas da região por tempo indeterminado.

Ontem também, moradores das favelas mais atingidas pela violência realizaram um dia de mobilização pelas redes sociais com a hashtag vidasnafavelaimportam.

Em carta aberta publicada na manhã de hoje no site da corporação, o Comandante Geral da Polícia Militar (PM), Wolney Dias, disse que o sentimento é de tristeza pelas perdas e de revolta “pela omissão de grande parte da sociedade que se nega a discutir com profundidade um tema de tamanha relevância”. O comandante criticou a “mídia tradicional” por, segundo Dias, estar esperando ansiosamente pelo número 100 de policiais mortos e disse que as vítimas "não são apenas números".

Ainda segundo ele, um criminoso portando um fuzil de guerra e atacando um policial deve ser tratado como terrorista e a PM não pode ser responsabilizada pela crise econômica e pela falta de investimento em projetos sociais.

“Cabe à Polícia Militar enfrentar os efeitos de todos esses indutores de violência. Somos a última barreira entre a ordem e o caos. Estamos fazendo o possível e o impossível para ampliar ao máximo o policiamento ostensivo. E pagando injustamente uma conta que não é apenas nossa. É de todos”, diz o a carta. “A sociedade precisa fazer a sua parte. Precisa refletir com seriedade sobre as causas da violência e se mobilizar para construir um novo cenário. A mídia tem um papel fundamental como força aglutinadora”.

Devido à gravidade da crise de segurança pública no estado, as Forças Armadas têm atuado em algumas comunidades do Rio de Janeiro, desde 28 de julho, com previsão de permanência até o fim do ano que vem. Na semana passada especialistas em segurança pública e integrantes da sociedade civil organizada criaram uma comissão para monitorar os impactos das ações das forças federais no estado.

 

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