Crivella diz que seu machismo é culpa do 'espírito carioca'

Após fazer comentários machistas para criticar a decisão de uma juíza de interditar uma avenida de grande fluxo na cidade, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, atribuiu o que chamou de "gracejos" ao "espírito carioca"

247 - Depois de ironizar a decisão da juíza da 3ª Vara de Fazenda Pública, Mirela Erbisti, usando termos machistas para criticar a interdição da Avenida Niemeyer, após o deslizamento que matou duas pessoas, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PSC), decidiu pedir desculpas pelos comentário, mas disse que fez um apenas um "gracejo" e que isso é parte do "espírito carioca".

"O prefeito do Rio de Janeiro tem todo respeito pela magistratura. Se, por acaso, em algum momento o espírito carioca... É, o espírito carioca, se a gente fez algum gracejo, eu quero aqui me redimir e pedir que a juíza me desculpe", disse ele, pedindo ainda que a juíza reconsidere o pedido para reabrir a avenida.

"Que a gente abra a Niemeyer porque, afinal de contas, são 36 mil automóveis que estão entupindo e já fazem mais de 100 dias. Aquilo que dizíamos se cumpriu, não houve deslizamento", observou. "Então faço esse apelo aqui pedindo desculpas, escusas se por acaso fui deselegante ou descortês", acrescentou.

Na semana passada, Crivela disse que os peritos que produziram o laudo sobre a avenida o fizeram "para agradar à juíza" e que a magistrada utilizava um site na internet para ensinar mulheres a se vestir para "conseguir um namorado".

"A juíza tem seus 40 anos, e ela é muito bonita. Tem uma beleza de parar o trânsito, mas não precisa praticar, né pessoal?", disse.

No entanto, a magistrada tem um canal no Youtube chamdo chamado “Justo Eu”, voltado para discussões sobre violência doméstica, feminismo, identidade de gênero e assédio sob a perspectiva jurídica.

Além disso, a decisão da magistrada foi por conta da morte de duas pessoas após um deslizamento na encosta da avenida. "Ataques pessoais à figura do julgador remetem a tempos obscuros da nossa sociedade. A insatisfação de um governante municipal divulgada na mídia, diante de uma decisão judicial até o presente momento mantida pela instância recursal, consiste em grave ataque à democracia", repeliu o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Claudio de Mello Tavares.

Com informações do Uol.

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