Eduardo Bolsonaro diz que há “perseguição a perfis de direita, dentro e fora do Brasil”

Desesperado com desmonte do Gabinete do Ódio, o deputado Eduardo Bolsonaro acusou o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, de "perseguição a perfis de direita" e disse que a rede social "vende liberdade dos conversadores por dinheiro"

Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro (Foto: Michel Jesus - Agência Câmara)
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247 - O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) foi ao Twitter acusar o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg de "perseguição a perfis de direita, dentro e fora do Brasil". O parlamentar tem dois assessores apontados como operadores da rede de fake news derrubada nesta quarta-feira (9) pel rede social. 

"Se tivéssemos 10% dessa organização certamente não estaríamos passando por isso. Defendo a liberdade de expressão a todos, lembrando que é cada vez mais notável a perseguição de redes sociais a perfis de direita, dentro e fora do Brasil, mesmo sem haver crime nos posts/perfis", disse o filho de Jair Bolsonaro no Twitter. 

Assessor do parlamentar, Paulo Eduardo Lopes, conhecido como Paulo Chuchu, é apontado na investigação como um dos principais operadores da rede derrubada pelo Facebook. 

Outro alvo das investigações é o também assessor Eduardo Guimarães, que também trabalha no gabinete de Eduardo e é investigado na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News.


Saiba mais sobre o caso:

(Reuters) - O Facebook suspendeu nesta quarta-feira uma rede de contas na rede social que a empresa disse ter sido usada para espalhar mensagens políticas de desinformação por assessores do presidente Jair Bolsonaro e de dois de seus filhos.

A empresa afirmou que, apesar dos esforços para disfarçar quem estava por trás da atividade, foram encontrados vínculos com as equipes de dois parlamentares, assim como de assessores do presidente e de seus filhos Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que é deputado federal, e Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), que é senador.

Nathaniel Gleicher, chefe da política de segurança cibernética do Facebook, disse que as contas foram removidas por usarem perfis falsos e outros tipos de “comportamento não-autêntico coordenado”, o que viola as regras da companhia.

Ele disse que não há evidências de que os próprios políticos tenham operado as contas. “O que podemos provar é que os funcionários desses gabinetes estão envolvidos em nossas plataformas nesse tipo de comportamento”, disse ele à Reuters antes do anúncio oficial da empresa.

Procurado pela Reuters, o Palácio do Planalto não respondeu de imediato a pedido de comentários.

Flávio Bolsonaro disse em nota que o governo Bolsonaro foi eleito com forte apoio popular nas ruas e nas redes sociais e, por isso, é possível encontrar milhares de perfis de apoio.

“Até onde se sabe, todos eles são livres e independentes”, disse a nota, acrescentando que, pelo relatório do Facebook, “é impossível avaliar que tipo de perfil foi banido e se a plataforma ultrapassou ou não os limites da censura”.

As alegações do Facebook se somam à atual crise política no Brasil, onde apoiadores de Bolsonaro e filhos do presidente têm sido acusados de realizar campanhas online coordenadas para atacar adversários políticos do presidente.

As acusações estão sendo abordadas em uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito no Congresso, a CPMI das Fake News, e também são alvo de uma investigação separada do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre ataques ao Judiciário, que já resultou em operações policiais de busca e apreensão em casas e escritórios de aliados de Bolsonaro.

O presidente, que também é alvo de críticas pela resposta do governo federal à pandemia de coronavírus, disse que a investigação do STF é inconstitucional e pode resultar em censura no Brasil, ao restringir o que as pessoas podem dizer nas redes sociais.

O Facebook está sob crescente pressão nas últimas semanas para policiar melhor como os grupos políticos usam sua plataforma. Centenas de anunciantes aderiram a um boicote destinado a forçar a empresa a bloquear o discurso de ódio, e vários funcionários saíram no mês passado devido à decisão do CEO, Mark Zuckerberg, de não questionar posts inflamatórios de Trump.

O Facebook também suspendeu outras três redes de desinformação nesta quarta-feira, incluindo uma que atribuiu a Roger Stone, um amigo de longa data e conselheiro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

No caso do Brasil, Gleicher disse que sua equipe identificou e suspendeu mais de 80 contas no Facebook e em seu site de compartilhamento de fotos, o Instagram, como parte da rede de desinformação. As contas acumulavam 1,8 milhão de seguidores, disse ele, e algumas datam de 2018.

Pesquisadores do Laboratório de Pesquisa Forense Digital do centro de estudos Atlantic Council, que passaram uma semana analisando a atividade identificada pelo Facebook, disseram ter encontrado cinco assessores políticos atuais e do passado que registraram e operaram as contas.

Algumas dessas contas se passavam falsamente por pessoas e veículos de comunicação para espalhar “visões hiperpartidárias” de apoio a Bolsonaro e atacar seus críticos, disse a pesquisadora Luiza Bandeira. Entre os alvos estavam parlamentares da oposição, ex-ministros e membros do STF.

Mais recentemente, as contas também apoiaram as alegações de Bolsonaro de que os riscos da pandemia de coronavírus são exagerados. A doença já matou mais de 66.000 pessoas no Brasil, e o próprio Bolsonaro teve exame positivo nesta semana.

“Sabemos há muito tempo que, quando as pessoas discordam de Bolsonaro, são alvo dessa máquina que usa a desinformação online para ironizá-las e desacreditá-las”, disse Bandeira. “Então, saber agora que parte desses ataques vem de pessoas diretamente relacionadas à família Bolsonaro, isso explica muito.”

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