Favelas do Rio têm mais mortes do que 14 estados do Brasil

Dados reunidos pelo portal Voz das Comunidades apontaram que as favelas da cidade do Rio registram pelo menos 176 mortes por coronavírus. Em comparação com dados do Ministério da Saúde, o número de óbitos pela doença nas comunidades cariocas é maior que os registrados em 14 estados brasileiros

(Foto: Reuters)
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247 - Dados reunidos pelo portal Voz das Comunidades apontaram que até esta quinta-feira (21) 176 moradores de favelas do Rio haviam morrido de coronavírus. Em comparação com dados do Ministério da Saúde, o número de óbitos pela doença nas comunidades cariocas é maior que os registrados em 14 estados brasileiros. Ao todo, 13 favelas do Rio registraram mortes provocadas pela doença. Os piores cenários são na Rocinha, com 49, e no Complexo da Maré, com 23.

De acordo com o Censo de 2010, 369 mil pessoas moram nessas comunidades com óbitos pelo coronavírus. Dos 14 estados com menos mortes que as favelas cariocas, apenas três têm população inferior a um milhão de habitantes, segundo estimativa de 2019 feita pelo IBGE. 

A prefeitura do Rio informou que a Vila Kennedy, por exemplo, tinha 21 casos confirmados de Covid-19 nesta quinta-feira (21). Mas desde o início da semana, a prefeitura não exibe os dados referentes aos óbitos nos bairros. As informações foram publicadas no jornal Extra

Segundo o Voz das Comunidades, o número de casos de Covid-19 registrados no Complexo do Alemão é cinco vezes maior do que o contabilizado pela prefeitura. Até ontem, dados coletados pelo portal junto a clínicas da família apontam 35 casos da doença, com 14 óbitos, enquanto o Executivo municipal contabilizava apenas sete. 

Líderes comunitários e ativistas acreditam que vítimas de algumas comunidades estariam registradas como residentes de bairros vizinhos.

"Muitas pessoas estão com todos os sintomas e não foram testadas", diz Renê Silva, fundador do portal. "O registro de óbitos cresceu muito, principalmente de mortes em casa. O número de casos é maior do que vem sendo divulgado, muitos não entram nas estatísticas oficiais. A chance de alguém contrair a doença no Alemão e entrar como Bonsucesso ou Ramos, por exemplo, é muito grande".

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