Universidades públicas e privadas de São Paulo adiam volta às aulas presenciais

Ao contrário de Doria, universidades consideram alto o risco de contaminação pela Covid-19 com volta agora às aulas presenciais e decidem manter apenas o ensino remoto na maior parte dos cursos

(Foto: Reuters)
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Rede Brasil Atual - Contrariando o discurso do governador paulista, João Doria (PSDB), de que a volta às aulas presenciais é segura, as universidades públicas e privadas de São Paulo decidiram hoje (11) manter apenas o ensino remoto na maior parte dos cursos. “Estamos trabalhando com muita cautela, priorizando a saúde e a vida das pessoas”, afirmou a pró-reitora de graduação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Célia Maria Giacheti, ao jornal Folha de S. Paulo. Com a pandemia descontrolada, o estado registra média de mais de 10 mil novos casos, 245 mortes e 1.400 internações diariamente.

A retomada das aulas nas universidades foi autorizada por Doria e pode ter até 35% dos estudantes por sala. As aulas da Unesp devem ser retomadas em abril, mas somente disciplinas que demandam aulas práticas, como os cursos da área da saúde, serão presenciais. O restante será mantido em ensino remoto, ao menos até o final do primeiro semestre. Na USP a decisão é a mesma.

Já a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), teve as atividades presenciais suspensas no fim de janeiro, por conta do aumento de casos de covid-19 no estado. A decisão vale, pelo menos, até o final do primeiro semestre, mesmo que as regiões de Campinas e Piracicaba, onde estão os campus da universidade, entrem em fases menos restritivas do Plano São Paulo.

Sensatez necessária

A presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e deputada estadual, Professora Bebel (PT), considera que o posicionamento das universidades paulistas é uma clara demonstração que a decisão de voltar com as aulas presenciais em meio à pandemia de covid-19 é arriscada e insensata. A Apeoesp já contabilizou 262 casos de covid-19 entre professores e outros trabalhadores da educação, desde o início do planejamento, na semana passada (leia mais abaixo).

“A decisão das universidades públicas estaduais de manter o ensino remoto somente evidencia ainda mais a insensatez do secretário Estadual da Educação de obrigar a retomada das aulas presenciais na rede estadual de ensino e a justeza de nossa greve em defesa da vida. As escolas estaduais, como já demonstramos, não possuem estrutura, condições de ventilação e pessoal para garantir os protocolos de segurança sanitária. Também mostra o descaso do governo, que envia equipamentos de proteção individual de péssima qualidade e álcool em gel vencido. As escolas sequer possuem funcionários de limpeza em número suficiente para realizar a higienização diária a cada três horas”, disse Bebel.

Hoje, o estado de São Paulo registra, em média, mais de 10 mil novos casos de covid-19, 245 mortes e 1.400 internações por dia.

Universidades privadas

Mesmo as faculdades privadas, que afirmam ter melhores condições de garantir a segurança dos estudantes, optaram por adiar o retorno das aulas presenciais, pelo menos durante todo o primeiro semestre desse ano. As universidades consideram que a atual situação da pandemia não permite uma retomada segura das aulas. “Os próprios alunos avaliam que não há motivo para o retorno presencial neste momento ainda crítico”, disse Rodrigo Capelato, diretor executivo do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp), em entrevista ao UOL.

Além disso, destaca o dirigente do sindicato patronal, em geral os alunos da rede particular têm melhores de condições de optar pelo ensino à distância. “A adaptação ao remoto foi boa nos cursos de graduação”, avalia.

Universidades federais

As universidades federais vão na mesma linha. Segundo informações da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), todas as instituições que já apresentaram planejamento para 2021 vão retomar com aulas remotas. Exceção apenas para os cursos que tenham atividades práticas. “A maioria das universidades têm planos. Esses planos condicionam o retorno presencial às condições epidemiológicas”, ressaltou a Andifes, em nota.

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