Imprensa alemã mostra atuação política de Moro para tirar Lula de cena

"Se a sentença de Moro for confirmada em instância superior, Lula não poderá concorrer novamente à presidência. Dessa forma, o sutil golpe de Estado da direita no Brasil estaria completo"; leia reportagem da Rede Brasil Atual

moro lula
moro lula (Foto: Leonardo Attuch)
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Da Rede Brasil Atual

“Moro se tornou o super-herói da classe alta de direita no brasil. Entretanto, super-heróis talvez sirvam para bons vingadores, mas não para bons juízes”, afirma texto publicado hoje (19) pelo jornal alemão Der Tagesspiegel, sob o título “Golpe de Estado disfarçado”. A imprensa alemã questiona a atuação do juiz Sérgio Moro, responsável pela primeira instância da Operação Lava Jato, em Curitiba.

A condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por Moro foi destaque na imprensa alemã desta quarta-feira. Em sua sentença, o juiz condena Lula a nove anos e meio de prisão no processo referente ao triplex do Guarujá. A defesa do ex-presidente questiona contradições na peça de Moro e deve apelar para a segunda instância. Lula, em conjunto com setores progressistas, afirmam que não existem provas contra ele e que o processo carece de materialidade.

Tais questionamentos também foram levantados pelo diário alemão. “Moro confirmou aquilo do qual muitos o acusam há muito tempo: que ele decide menos por critérios jurídicos do que por critérios políticos. Em caso de dúvida, contra a esquerda”, continua o Der Tagesspiegel, ao chamar as provas contra o ex-presidente de “ralas”.

Para Lula e parte da esquerda, a intenção de Moro é impedir sua participação no pleito presidencial de 2018, ponto também abordado no texto do periódico. “No processo para Lula, muito mais está em jogo. Porque, se a sentença de Moro for confirmada em instância superior, Lula não poderá concorrer novamente à presidência. Dessa forma, o sutil golpe de Estado da direita no Brasil estaria completo”, diz.

Outros veículos também seguiram na cobertura do caso brasileiro, como o site DW Brasil. “Há declarações incriminatórias contra Lula, mas também há muita coisa que o inocenta, e sequer um único documento que mostre o ex-presidente como proprietário do apartamento reformado”, afirma o jornal Die Zeit, em sua matéria intitulada "O grande show da corrupção".

“O problema é que o combate à corrupção se mistura de forma demasiadamente óbvia com intenções políticas. Lula será, apesar de seus 71 anos, o candidato de seu partido para as eleições presidenciais de 2018. Nas atuais pesquisas, ele se encontra claramente à frente de todos os outros candidatos. Este é um cenário de horror para os partidos conservadores e liberais do país, os quais depuseram a presidente Dilma Rousseff em 2016, em um sensacional jogo de intrigas políticas”, diz a publicação.

O jornal Süddeutsche Zeitung observa que Moro se colocou à frente dos procuradores da Lava Jato na “maior campanha anticorrupção da história do Brasil”, o que “balançou todo o aparelho do Estado”. “Agora, ele chegou aonde sempre quis, segundo seus críticos. No prêmio principal: o ex-presidente Lula.”

A publicação questiona o histórico de Moro em relação ao ex-presidente. “A controvérsia sobre esta decisão não envolve apenas a questão da validade das provas, mas o modo de trabalho de Moro. Uma vez, ele determinou que Lula fosse levado de casa por 200 policiais para um interrogatório. A televisão estava informada. Pouco tempo depois, divulgou para a imprensa uma conversa privada grampeada entre Lula e sua sucessora, Dilma Rousseff. Isso foi constrangedor para ambos, mas fortaleceu todos aqueles que sempre haviam acusado Moro de promover uma caça às bruxas”, diz.

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