Lava Jato: Telegram foi desativado e mensagens não existem mais nem na nuvem

A força-tarefa da Operação Lava Jato do Paraná informou que os procuradores da República desativaram suas contas do aplicativo Telegram em abril. Em nota, a Lava Jato relatou que, desde então, "vários de seus integrantes vêm constatando ataques a seus aplicativos"

São Paulo - Procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, participa de entrega de certificados para os voluntários que coletaram assinaturas para a campanha 10 Medidas contra a Corrupção, em evento do MPF (Rovena Rosa/Agência Brasil)
São Paulo - Procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, participa de entrega de certificados para os voluntários que coletaram assinaturas para a campanha 10 Medidas contra a Corrupção, em evento do MPF (Rovena Rosa/Agência Brasil) (Foto: Rovena Rosa/ABR)

247 - A força-tarefa da Operação Lava Jato do Paraná informou que os procuradores da República desativaram suas contas do aplicativo Telegram em abril. Em nota, a Lava Jato relatou que, desde então, "vários de seus integrantes vêm constatando ataques a seus aplicativos". 

"Tendo em vista a continuidade, nos dias subsequentes, das invasões criminosas e o risco à segurança pessoal e de comprometimento de investigações em curso, os procuradores descontinuaram o uso e desativaram as contas do aplicativo Telegram nos celulares, com a exclusão do histórico de mensagens tanto no celular como na nuvem", diz a nota da Lava Jato. 

De acordo com o texto, "houve reativação de contas para evitar sequestros de identidade virtual, o que não resgata o histórico de conversas excluídas". 

"Também imediatamente após as constatações, e antes que houvesse notícia pública sobre a investida hacker, a força-tarefa comunicou os ataques à PGR e à Polícia Federal em Curitiba, que, uma vez que não prejudicaria as linhas investigatórias em curso, orientou a troca dos aparelhos e dos números de contato funcionais dos procuradores".

Uma série de reportagens do Intercept Brasil aponta que o atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, tentou, quando era juiz da Lava Jato, 

Em mensagem ao procurador Carlos Fernando, Moro sugeriu a divulgação de uma nota à imprensa para rebater o que ele chamou de 'showzinho' da defesa do ex-presidente Lula.  

A reportagem do Site The Intercept destaca que "os procuradores acataram a sugestão do atual ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, em mais uma evidência de que Moro atuava como uma espécie de coordenador informal da acusação no processo do triplex. Em uma estratégia de defesa pública, Moro concedeu uma entrevista nesta sexta-feira ao jornal o Estado de S. Paulo onde disse que considera "absolutamente normal" que juiz e procuradores conversem. Agora, está evidente que não se trata apenas de "contato pessoal" e "conversas", como diz o ministro, mas de direcionamento sobre como os procuradores deveriam se comportar." 

De acordo com reportagem do Intercept, o procurador duvidava da existência de provas contra Lula, acusado de ter recebido um apartamento da OAS como propina. "No dia 9 de setembro de 2016, precisamente às 21h36 daquela sexta-feira, Deltan Dallagnol enviou uma mensagem a um grupo batizado de Incendiários ROJ, formado pelos procuradores que trabalhavam no caso. Ele digitou: 'Falarão que estamos acusando com base em notícia de jornal e indícios frágeis… então é um item que é bom que esteja bem amarrado. Fora esse item, até agora tenho receio da ligação entre petrobras e o enriquecimento, e depois que me falaram to com receio da história do apto… São pontos em que temos que ter as respostas ajustadas e na ponta da língua'", diz o site.

Outra matéria apontou que Moro "sugeriu trocar a ordem de fases da Lava Jato, cobrou novas operações, deu conselhos e pistas e antecipou ao menos uma decisão, mostram conversas privadas ao longo de dois anos".

No diálogo com Dalagnol pelo aplicativo Telegram ele escreve: "Talvez fosse o caso de inverter a ordem da duas planejadas". "Não é muito tempo sem operação?", questionou.

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