Manuela D'Ávila: "Qual pessoa branca você viu ser vítima dessa violência?"

A candidata a prefeita de Porto Alegre Manuela D'Ávila (PCdoB) repudiou a morte por espancamento de João Alberto Silveira Freitas, num estacionamento do Carrefour, na capital gaúcha. "Quantos Betos? Qual pessoa branca você viu ser vítima dessa violência?", questionou Manu

Manuela D'Ávila
Manuela D'Ávila (Foto: Reprodução/Facebook)
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247 - A candidata a prefeita de Porto Alegre Manuela D'Ávila (PCdoB) repudiou a morte por espancamento de João Alberto Silveira Freitas, negro, no estacionamento do Carrefour, na capital gaúcha, na noite desta quinta-feira (19) - leia ao final da reportagem do 247 sobre o crime e assista aos vídeos chocantes - os seguranças levaram Beto para o estacionamento do Carrefour e o espancaram até a morte.

"O racismo que estrutura as relações de nossa sociedade precisa ser enfrentado de frente. As mulheres e homens brancos precisam assumir a sua responsabilidade na luta antirracista. Quantos Betos? Qual pessoa branca você viu ser vítima dessa violência?", questionou a ex-deputada federal no Twitter.

"Estava no debate da Band e na saída soube do assassinato de um homem negro pela abordagem violenta dos  seguranças do estacionamento do Carrefour. Sei q já há pedido de investigação sendo feito por parlamentares e pela bancada antirracista recém eleita. Mas as imagens dizem muito", afirmou.

De acordo com números divulgados pelo Atlas da Violência 2020 em agosto deste ano, assassinatos de negros aumentaram 11,5% em dez anos e os de não negros caíram 12,9% no mesmo período. O relatório apontou que, em 2018, os negros representaram 75,7% das vítimas de todos os homicídios.

Leia a seguir a reportagem do 247 sobre o assassinato e os vídeos chocantes da agressão:

247 – Um homem negro foi espancado por dois seguranças do Carrefour em Porto Alegre na noite desta quinta-feira (19), poucas horas antes do Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, e não resistiu às agressões. "A polícia de Porto Alegre (RS) investiga a morte de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, após espancamento por dois seguranças de uma loja do do supermercado Carrefour localizada no bairro Passo d´Areia, na zona norte da cidade. Vídeos que mostram o espancamento no estacionamento da loja e a tentativa de socorristas de salvarem o homem, conhecido como Beto, circulam nas redes sociais desde a noite desta quinta-feira  e provocam a mobilização de ativistas contra o racismo", aponta reportagem de Cristina Camargo, na Folha de S. Paulo.

Os dois assassinos estão presos. Um deles é policial militar e foi levado para um presídio militar. O outro é segurança da loja e está em um prédio da Polícia Civil. A investigação trata o crime como homicídio qualificado.

A Brigada Militar gaúcha informou que o espancamento começou após um desentendimento entre a vítima e uma funcionária do supermercado. 

Freitas foi levado da área de caixas para a entrada da loja espancado no estacionamento do supermercado, por dois seguranças. 

O vídeo da agressão circula nas redes sociais desde o final da noite. Nas imagens, é possível ver os dois seguranças espancando Frietas, que já está no chão. Uma mulher que estava próxima deles parece filmar a ação dos agressores.

Em seguida, já com sangue espalhando pelo chão, outras pessoas aparecem em volta do homem agredido, enquanto os dois agressores continuam sobre ele, já desfalecido. 

Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) tentou reanimar Freitas depois do espacamento, mas ele morreu no local.

Movimentos negros de Porto Alegre convocaram protesto para final da tarde diante do Carrefour do Passo d'Areia contra o assassinato de João Alberto Silveira Freitas.

Beto morreu na véspera do Dia da Consciência Negra, comemorado nesta sexta-feira (20) em referência à morte de Zumbi e Dandara, líderes do Quilombo dos Palmares, localizado entre Alagoas e Pernambuco. "Ainda nas primeiras horas dessa data, estamos falando sobre mais um episódio brutal de racismo e de novo no Carrefour. De 20 de novembro a 20 de novembro e todos os dias, a estrutura racista deste país nos trás brutalidade como regra", reagiu Raull Santiago, ativista e fundador da Agência Brecha. 

O Carrefour soltou uma nota na qual afirma que "adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso. Também romperá o contrato com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão. O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário".

Confira, abaixo, as cenas chocantes:

 



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