Moro defende delações: ‘É melhor alguém condenado do que ninguém’

"É melhor ter um esquema de corrupção descoberto e algumas pessoas desse esquema punidas do que ter esse esquema de corrupção oculto para sempre. Uma forma é utilizar o criminoso contra os seus pares. É melhor ter alguém condenado do que ninguém condenado", disse o juiz da Lava Jato a respeito das delações premiadas, durante conferência em Portugal; ele também disse que nem todas as provas da investigação vêm das delações

"É melhor ter um esquema de corrupção descoberto e algumas pessoas desse esquema punidas do que ter esse esquema de corrupção oculto para sempre. Uma forma é utilizar o criminoso contra os seus pares. É melhor ter alguém condenado do que ninguém condenado", disse o juiz da Lava Jato a respeito das delações premiadas, durante conferência em Portugal; ele também disse que nem todas as provas da investigação vêm das delações
"É melhor ter um esquema de corrupção descoberto e algumas pessoas desse esquema punidas do que ter esse esquema de corrupção oculto para sempre. Uma forma é utilizar o criminoso contra os seus pares. É melhor ter alguém condenado do que ninguém condenado", disse o juiz da Lava Jato a respeito das delações premiadas, durante conferência em Portugal; ele também disse que nem todas as provas da investigação vêm das delações (Foto: Gisele Federicce)

Adriana Niemeyer, correspondente da RFI em Portugal

Moro afirmou acreditar que, apesar de todas turbulências, o Brasil vai ser um país melhor com uma economia mais forte e uma democracia de melhor qualidade, "no qual a corrupção sistêmica passará a ser apenas uma triste memória". Explicou que "isso não é algo garantido. É um trabalho em andamento. Mas é possível ter esperanças não somente no Brasil mas também na região, que é identificada pelos altos níveis de corrupção".

Aplaudido de pé por grande parte dos participantes ao chegar na conferência, o juiz Sérgio Moro foi o mais ovacionado, apesar de o painel apresentar outros famosos juízes que participaram, ou participam, de grandes operações contra a corrupção, como o espanhol Baltazar Garzon (responsável pela prisão de Pinochet em Londres), o juiz italiano António Di Pietro, que comandou a operação "Mãos Limpas", e o português Carlos Alexandre, que ainda tenta comprovar a culpa do ex-premiê José Sócrates na chamada "Operação Marquês".

"Melhor alguém do que ninguém condenado"

Quando Moro disse que "é uma ilusão pensar que o processo judicial sozinho seja suficiente para enfrentar a corrupção sistemática", todos os juízes, de certa maneira, se sentiram desamparados e atacados pelos sistemas políticos de seus países; e demonstraram preocupação "pelo o que está acontecendo no sistema judicial das novas democracias".

Quanto à delação premiada, tema em que nem todos os participantes estavam de acordo, Moro quis deixar claro que no Brasil "é melhor alguém condenado do que ninguém condenado; e que este método ajudou em muito expandir as investigações".

O juiz Moro não quis falar com a imprensa brasileira após a conferência como tinha indicado da porta do Hotel Palácio, onde está hospedado. Segundo a organização da conferência, Moro, que veio acompanhado da mulher, pagou pelas suas próprias despesas.

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