Azeite de oliva faz bem para o coração?

Um grande estudo americano traz evidências de que o alimento é benéfico para a saúde do coração

Azeite de oliva
Azeite de oliva (Foto: Reprodução)
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Por Fábio de Oliveira, da Agência Einstein  - Uma pesquisa recente publicada no periódico científico Journal of American College of Cardiology confirma os resultados de outros estudos: o azeite de oliva é uma opção saudável à mesa e traz benefícios ao sistema cardiovascular. O trabalho analisou dados de 63.867 mulheres e 35.512 homens de 1990 a 2014 nos Estados Unidos. No início do levantamento, todos os participantes não apresentavam câncer, problemas cardíacos e outras doenças crônicas. A cada quatro anos, eles respondiam questionários sobre dieta e estilo de vida. Entre os que ingeriam mais do que meia colher de sopa de azeite por dia, o risco de ter qualquer mal cardiovascular foi 15% menor e, de doença arterial coronariana, quando há um estreitamento das artérias que irrigam o coração, 21% mais baixo. Além disso, quem substituiu uma colher de chá de manteiga, margarina, maionese ou outra gordura láctea pela mesma quantidade de óleo de oliva diminuiu a probabilidade de sofrer infarto em 5%.

Trabalhos anteriores também apontavam o benefício. “Resultados do estudo PREDMED (Prevenção com Dieta Mediterrânea), o principal sobre esse tipo de dieta, demonstrou que o consumo de azeite extra virgem (40g/dia) reduziu a incidência de eventos cardiovasculares em 31% em comparação ao grupo que não consumiu o alimento”, diz o nutricionista João Motarelli, assessor científico do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). Quarenta gramas seriam cerca de 4 colheres de sopa diárias.

O segredo do óleo de oliva está no tipo de gordura presente nele. “Ele é rico em ácidos graxos insaturados, que favorecem a saúde cardiovascular por exercerem influência na quantidade e tamanho das partículas de colesterol no organismo”, fala Motarelli. Já outros alimentos, como a manteiga, têm na sua composição maior quantidade de gorduras saturadas, que são na sua maioria de origem animal. “Elas aumentam a concentração de LDL no sangue”, explica a nutricionista Ana Maria Pita Lottenberg, coordenadora do Curso de Especialização em Nutrição nas Doenças Crônicas da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein. O LDL, ou lipoproteína de baixa densidade, é uma partícula que tem a função de transportar cerca de 2/3 do colesterol no sangue. “Em excesso, ele se deposita na parede das artérias”, explica a especialista. Ou seja, causa os ateromas, as famosas placas gordurosas que podem obstruir a circulação e levar ao infarto.

Em maior quantidade, o LDL, também chamado colesterol ruim, se oxida mais facilmente e, por esse motivo, não é recapturado pelo fígado. “A gordura saturada reduz os receptores de LDL no órgão”, detalha a nutricionista. Daí seu acréscimo na circulação. Ele acaba sendo captado na artéria por uma célula de defesa, o macrófago, o que contribui para o desenvolvimento do ateroma e o surgimento de um processo inflamatório na região.

Já as gorduras insaturadas, como as do azeite de oliva, atuam de outra forma e não estão por trás da subida das taxas de colesterol. Além disso, o azeite de oliva tem compostos fenólicos, que funcionam como antioxidantes, impedindo, portanto, que o LDL passe por oxidação. Sem contar que suas gorduras podem também ter ação anti-inflamatória em outros locais, sobretudo no tecido adiposo.

Mas é preciso ficar de olho para não exagerar. “O melhor óleo é o que se usa em quantidades adequadas”, recomenda a nutricionista Ana Maria, que também é do Laboratório de Lípides da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. A alimentação precisa ser equilibrada, com frutas, verduras, legumes, grãos e carnes magras. De nada adianta colocar uma colher de azeite de oliva na salada se o menu ao longo do dia contiver salgadinhos, bolachas recheadas e doces ricos em gorduras. Segundo a nutricionista, muitos desses alimentos ainda levam na composição a banida gordura trans, que eleva o LDL e reduz o HDL, um amigo do coração.

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Modo de usar

Tire melhor proveito do azeite de oliva 

1. Como ele deve ser consumido?

“A melhor forma é consumir este alimento cru, ou seja, temperando a salada, ou por meio de um aperitivo e até mesmo como acompanhamento de um queijo”, diz o nutricionista João Motarelli.  

2. Quanto ingerir?

Isso deve ser ajustado de acordo com a alimentação de cada pessoa. “A recomendação é que a quantidade de energia proveniente de gorduras fique em aproximadamente 30% do valor energético total para indivíduos saudáveis”, fala Motarelli. Um profissional de nutrição é o mais indicado para orientá-lo nesse caso. 

3. Ele perde suas propriedades ao ser usado em frituras?

Caso o óleo seja submetido à temperatura extremamente alta, levando à geração de fumaça, pode ter alterada a sua composição, reduzindo seus benefícios. 

4. Como ele deve ser armazenado?
 

Para conservá-lo, o ideal é mantê-lo longe de fontes de calor e de luz, uma vez que esses dois fatores podem modificá-lo. As embalagens atuais recebem filtros contra a luz solar que contribuem para a melhor preservação do óleo. 

5. Qual é o melhor tipo de azeite de oliva?

O extra virgem fornece maior quantidade de compostos ativos, menor acidez e sabor mais intenso. 

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