247 – O jogador Richarlison tornou pública uma disputa judicial envolvendo uma mansão avaliada em cerca de R$ 10 milhões, imóvel que também passou a ser alvo de uma controvérsia com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado Tomaz Willer. O atleta afirma ter desembolsado o valor para adquirir a propriedade, mas diz ter perdido o direito de usar o imóvel e não ter sido ressarcido até hoje.
A manifestação de Richarlison ocorreu nas redes sociais, após a advogada imobiliária Ana Paula Zantut divulgar um vídeo explicando detalhes do caso. O atacante, que atua no Tottenham, da Inglaterra, compartilhou a publicação e comentou a situação: “Realmente gastei em torno de 10 milhões lá e simplesmente me tomaram. E estou até hoje sem receber a minha grana!”.
A disputa envolve a diferença entre propriedade e posse do imóvel. Segundo a explicação apresentada por Ana Paula Zantut, Richarlison e seu empresário teriam comprado a mansão por aproximadamente R$ 10 milhões. Dois anos depois, Flávio Bolsonaro e seu advogado, Tomaz Willer, teriam adquirido o direito de posse da mesma propriedade.
No vídeo compartilhado pelo jogador, a advogada resumiu o impasse: “Agora eles estão brigando para quem tem, de fato, a posse”. Ela acrescentou que Richarlison e seu empresário seriam os proprietários do imóvel, enquanto Tomaz Willer teria adquirido o direito de posse, isto é, o uso e a moradia.
“Richarlison e o empresário dele possuem a propriedade, são os donos. Mas Tomaz Willer, advogado de Flávio, possui o direito de posse, ou seja: a moradia e uso do imóvel. Cada um comprou uma coisa e agora discutem a legalidade dessa posse para que o Richarlison possa voltar exercer o direito de uso/moradia do imóvel”, afirmou Ana Paula Zantut.
A controvérsia, segundo a advogada, não se limita à definição de quem pode ocupar a mansão. O ponto central do processo seria a legalidade do contrato que transferiu a posse do imóvel ao advogado ligado a Flávio Bolsonaro.
Ainda conforme a explicação divulgada nas redes sociais, uma das sócias da M Locadora, empresa que detinha a posse da mansão, afirma ter sido induzida a erro e enganada para comparecer ao cartório e assinar o documento que transferia a posse a Tomaz Willer.
“Agora o que está se discutindo não é só posse, mas é legalidade dessa posse. Porque se você faz um contrato simulado, que induz o outro a erro, esse contrato pode de fato ser anulado”, disse Zantut.
A advogada explicou ainda que, em um primeiro momento, a discussão jurídica apontava para o reconhecimento da posse em favor de Tomaz Willer, já que ele teria um contrato específico sobre esse direito, mesmo sem ser o proprietário do imóvel. A análise atual, no entanto, recai sobre a validade desse contrato.
“Inicialmente, o que começou a ser discutido é que quem tem a posse, de fato, é Tomaz Willer, porque ele tinha um contrato de posse, apesar da propriedade ser de outra pessoa. A discussão é a legalidade desse fato. Porque se esse contrato foi firmado com alguma irregularidade, pode, sim, ser anulado, e a propriedade voltar para Richarlison e seu empresário”, completou a advogada.
O caso ganhou repercussão após Richarlison usar suas redes sociais para reforçar que se considera prejudicado financeiramente. A disputa segue em torno do direito de uso da mansão e da validade da transferência de posse feita ao advogado de Flávio Bolsonaro.
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