A dissonância cognitiva entre o que se proclama no palanque (o discurso ambiental/clima) e o que se executa no território (a motosserra/o desmatamento).
Quando a tragédia — seja ela ambiental ou social — é tratada como um dado estatístico ou uma variável política, perde-se a dimensão da dignidade.
A vida não possui um equivalente monetário ou compensatório. A lógica da compensação, muitas vezes utilizada em licenciamentos e medidas mitigadoras, falha em reconhecer a irreversibilidade do dano.
A instalação de grandes equipamentos, como a Escola de Sargentos do Exército (ESE) na APA Aldeia Beberibe e Academia Integrada de Defesa Social (Acides) na APP (Área de Preservação Permanente) em São Lourenço da Mata ,”Projetos” anunciados, configuram como uma tragédia socioambiental anunciada .
Um ecossistema como a Mata Atlântica, em um estágio crítico como o da APP em São Lourenço da Mata e da APA Aldeia-Beberibe , ambas no Grande Recife ,não é um estoque de recursos, mas um organismo vivo. Quando se permite o desmatamento, o que se perde não são apenas árvores, mas serviços ecossistêmicos, memória genética e o abrigo de espécies que já estão no limite da sobrevivência. A natureza não aceita “substitutos”.
Quando vidas são tratadas como números em planilhas de gestão ou danos colaterais de projetos de desenvolvimento, a política se desumaniza. É preciso colocar a vida no centro da questão. A “política da tragédia” é justamente o oposto disso: é a governança que privilegia o lucro ou a conveniência em vez da preservação do que é inegociável.
A nossa indignação ecoa o compromisso com as futuras gerações — filhos, netas e netos — que, em última análise, herdarão não apenas o território que conseguirmos proteger, mas a ética de como tratamos esse território hoje.
A pergunta que fica para o debate público e para as lideranças políticas é: até quando a régua da política será a compensação, em vez da preservação e da vida?
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