Ancelotti afirma que Neymar está pronto e prega confiança contra a Noruega

Técnico da seleção brasileira diz que Brasil terá jogo duro contra Haaland, defende Vini Jr. e afirma: “não sou um gênio, mas não sou tonto”

O técnico do Brasil, Carlo Ancelotti
13 de junho de 2026
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247 – O técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, afirmou que Neymar já tem condições de atuar por 90 minutos, elogiou o comportamento do camisa 10 mesmo no banco de reservas e pregou confiança antes do duelo contra a Noruega, pelas fases decisivas da Copa do Mundo de 2026.

As declarações foram dadas em entrevista exclusiva à coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, publicada nesta sexta-feira. Concentrado com a seleção em Baskin Ridge, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, Ancelotti falou sobre Neymar, Vini Jr., Haaland, a pressão da torcida brasileira e o peso de comandar uma equipe que busca encerrar um jejum de 24 anos sem título mundial.

Jogo duro contra a Noruega

Ancelotti afirmou que o Brasil terá pela frente uma partida difícil contra a Noruega, no domingo (5). Segundo ele, nesta fase da Copa, todos os jogos são duros, especialmente em confrontos eliminatórios.

“Neste ponto da Copa, todas as partidas são duras. Em um mata-mata entram em jogo muitos fatores, não só aspectos técnicos, de estratégia, mas também aspectos mentais”, disse.

O treinador destacou a força da seleção norueguesa e elogiou Erling Haaland, astro do Manchester City. “A Noruega é uma boa equipe, com bons jogadores. O Haaland é um dos melhores jogadores do mundo. Sempre é difícil. Mas estamos confiantes de que teremos um bom jogo”, afirmou.

Questionado sobre a marcação de Gabriel Magalhães em Haaland, Ancelotti disse que o Brasil não fará marcação individual. “No aspecto tático, não jogamos com marcação individual. Temos uma defesa coletiva. Obviamente Gabriel está mais posicionado perto dele. Mas a defesa tem de ser coletiva, e não apenas individual”, explicou.

Neymar no banco

Um dos temas centrais da entrevista foi a situação de Neymar. Ancelotti afirmou que o atacante não está conformado com a reserva, mas elogiou sua postura no grupo.

“Ele não está conformado, mas está se comportando muito bem. Está treinando muito bem. Neymar é muito respeitoso, amável e querido pelos companheiros. É um caráter importante na equipe porque tem qualidade e é uma pessoa muito humilde. Estou muito contente com ele”, declarou.

O treinador também confirmou que Neymar já pode disputar uma partida inteira. “Sim. Ele pode jogar 90 minutos”, afirmou.

Sobre quando pretende utilizá-lo, Ancelotti disse que a decisão dependerá da necessidade da equipe. “Quando eu entender que a equipe precisa dele, vou colocá-lo”, disse.

Vini Jr. e a nova geração brasileira

Ancelotti também falou sobre Vini Jr., com quem trabalhou no Real Madrid, e evitou apontar um único craque da seleção.

“A torcida precisa de um craque. Mas aqui, na seleção, nós não precisamos de um craque. Precisamos de jogadores de alto nível que possam ajudar a equipe”, afirmou.

O técnico elogiou o caráter do atacante brasileiro. “A chave do êxito de Vinicius é ser humilde com um talento excepcional, extraordinário”, disse.

Ele também citou nomes que imagina presentes no próximo Mundial: “Endrick, Vinicius, Estêvão, Militão, Rodrygo, são todos jogadores muito jovens que estarão também no próximo Mundial”.

“Deus tem outros problemas em que pensar”

Com seu estilo bem-humorado, Ancelotti disse que não costuma rezar durante os jogos, apesar de ser católico.

“Eu sou católico, mas eu acho que Deus tem outros problemas em que pensar”, afirmou, rindo.

Ele também explicou por que não corre para comemorar gols. “Eu não posso correr porque rompo o joelho. Eu tenho 67 anos. E para mim o jogo nunca acaba”, disse.

Segundo o técnico, ao fim de uma partida sofrida, o sentimento é mais de alívio do que de felicidade.

Confiança da seleção

Ancelotti afirmou que vê o Brasil mais preparado mentalmente para enfrentar adversidades. Segundo ele, a equipe evoluiu na capacidade de reação.

“Agora parece uma equipe mais confiante, com menos ansiedade durante o jogo. Tem sido um bom trabalho. Estamos preparados para todas as coisas que podem passar. Podemos sofrer um gol, mas estamos preparados para reagir”, declarou.

O treinador também disse que não se irrita com erros técnicos, mas com falta de entrega. “Eu tenho raiva quando o jogador não luta. Mas quando ele luta, e falha, não importa. O erro é um componente do jogo”, afirmou.

Pressão, críticas e experiência

Ancelotti reconheceu que vestir a camisa da seleção brasileira impõe uma pressão diferente. Ele citou Casemiro como exemplo de jogador experiente, capaz de suportar críticas.

“O Brasil é um país especial nesse sentido. A pressão que um jogador com a camisa do Brasil pode sofrer é diferente da que sofre em outra seleção”, disse.

Ao comentar as críticas de torcedores, o técnico lembrou sua longa trajetória. “Eu não sei se entendo ou não de futebol. Mas também ninguém pode julgar se eu entendo ou não. A única coisa certa é que eu já preparei equipes para mais de 1.400 jogos”, afirmou.

Em uma das frases mais fortes da entrevista, Ancelotti resumiu sua visão sobre o papel do treinador: “É 100% certo que não sou um gênio. Mas é 100% certo que não sou tonto”.

Honra de comandar o Brasil

O técnico admitiu o peso de comandar uma seleção pentacampeã que não conquista a Copa há 24 anos, mas disse encarar a missão como uma honra.

“Há uma pressão, são 24 anos. Mas, afinal, para mim é uma honra estar aqui e treinar a seleção brasileira. E, por ser uma honra, aceito todas as críticas”, declarou.

Ancelotti também elogiou o povo brasileiro. “Fui pela primeira vez ao Carnaval, e ele explica muito bem quem é o povo brasileiro: alegre, muito alegre, unido, muito bem organizado, e humilde, muito humilde”, disse.

O treinador afirmou ainda que não encontrou arrogância entre brasileiros com quem conviveu. “Eu até agora nunca encontrei um brasileiro arrogante. E isso é bem raro”, afirmou.

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