Opinião

Quinze anos depois, a indústria brasileira produz 13% menos que em 2011

Recuo de 0,2% interrompe quatro meses seguidos de alta; a indústria brasileira segue 13% abaixo do pico de 2011, e os bens de capital afundam quase 32% ante 2013

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A produção industrial brasileira interrompeu, em maio, uma sequência de quatro meses de crescimento. Segundo os dados divulgados nesta manhã pelo IBGE, a indústria geral recuou 0,2% ante abril, um resultado que, na prática, significa estagnação, mas que carrega um simbolismo maior quando confrontado com a série histórica. O país ainda opera pouco acima do patamar pré-pandemia — cerca de 4,5% acima — e, ao mesmo tempo, permanece 13% abaixo do pico histórico alcançado em maio de 2011.

Quinze anos depois, portanto, o Brasil produz 13% menos do que produzia em 2011: este é o retrato mais fiel do processo de desindustrialização que se arrasta há mais de uma década.

O comportamento setorial reforça o diagnóstico. As principais quedas do mês vieram de petróleo, biocombustíveis e da indústria extrativa, enquanto foi justamente a manufatura que segurou o resultado, evitando um recuo mais expressivo. Entre os destaques positivos aparecem os farmoquímicos e farmacêuticos, com alta de 13%, os veículos, com avanço de 4%, e o setor químico como um todo, que subiu cerca de 3% no mês. São boas notícias localizadas, mas insuficientes para alterar a tendência de fundo.

No acumulado do ano até maio, a indústria registra alta de 1,4%. O crescimento, porém, está longe de ser bem distribuído: o destaque disparado continua sendo a indústria extrativa, que sobe 7,9% no ano por conta do petróleo, cuja produção avança 5,1%. Trata-se de um crescimento puxado por commodities e recursos naturais, e não pela transformação industrial de maior valor agregado — exatamente o tipo de dinâmica que aprofunda a dependência do país em setores primários.

O contraponto mais preocupante está nos bens de capital, a categoria que reflete a capacidade de investimento produtivo da economia. É o único grupo no campo negativo em 2026, com queda acumulada de 6,2% no ano, incluindo retração até nos bens de capital agrícolas. Quando a comparação é feita com os picos históricos, o quadro se torna ainda mais dramático: os bens de consumo duráveis estão 28,8% abaixo do topo de 2013; a indústria geral, 13% abaixo de seu máximo; e os bens de capital, 31,7% abaixo do pico de 2013 — um recuo que só pode ser descrito como catastrófico para um setor que deveria ser o motor da modernização do parque produtivo.

O mais frustrante é que esse desempenho ocorre apesar dos esforços de política industrial. Programas como a Nova Indústria Brasil (NIB) e a atuação do BNDES foram concebidos precisamente para reverter esse movimento, mas o efeito prático tem sido pequeno diante da magnitude do problema. Os números de maio, lidos em perspectiva histórica, mostram uma indústria que segue muito aquém do que já foi — e a distância se agrava quando se olha para fora. Enquanto o Brasil patina, concorrentes como Vietnã, China e Coreia do Sul cresceram e se sofisticaram ao longo da última década. O setor industrial brasileiro, mesmo com a tentativa de reforço via políticas de governo, ainda sofre muito.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

3 responses to “Quinze anos depois, a indústria brasileira produz 13% menos que em 2011”

  1. O empresariado brasileiro, que não é capitalista, é escravagista, prefere curtir a vida usufruindo dos rendimentos dos juros pornográficos, do que trabalhar.
    Com a derrubada dos juros no LULA IV
    Terão que vender suas indústrias a preço de banana, pois a concorrência chinesa vai destruir esses parasitas

  2. Culpa do Bolsonaro.
    Pronto, já poupei os esquerdistas de comentar.

  3. Como eu não sou empresário, e sim, apenas um pequeno investidor e financiador do governo, essa política está ótima, inclusive, como já declarei outras vezes aqui mesmo, meu candidato é Lula, afinal de contas, em um eventual 4º governo, nada vai mudar, ou seja, para os aqueles que compram a dívida pública do Brasil, esse é o melhor candidato.

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