247 – Em entrevista concedida ao Brasil 247 durante cobertura especial realizada em Teerã, o comandante Robson Farinazzo afirmou que a principal lição deixada pelo Irã não está na reprodução de seu modelo político, mas na capacidade do país de construir autonomia econômica, tecnológica e estratégica mesmo sob décadas de sanções internacionais. Ao comentar suas impressões da visita ao país, Farinazzo defendeu que o Brasil precisa desenvolver um projeto próprio de soberania nacional.
“Não devemos copiar o modelo iraniano, nem o russo ou o americano. O Brasil precisa encontrar seu próprio caminho para alcançar independência.”
Ao longo da entrevista, Farinazzo disse que a realidade encontrada nas ruas da capital iraniana difere da imagem normalmente apresentada pela mídia ocidental. Segundo ele, a viagem permitiu observar uma sociedade fortemente mobilizada e identificada com a defesa do país após os recentes confrontos militares.
O comandante destacou que o funeral de Ali Khamenei revelou um elevado grau de participação popular. Segundo seu relato, pessoas de diferentes gerações compareceram às homenagens e demonstraram apoio às instituições iranianas.
“Você vê todas as faixas etárias, todos os extratos sociais envolvidos nas manifestações de apoio ao governo. Vi muitas crianças, idosos e gente chorando nas ruas.”
Na avaliação de Farinazzo, esse engajamento popular está relacionado tanto ao sentimento de indignação provocado pelos ataques sofridos pelo país quanto à percepção de que o Irã enfrenta uma disputa pela preservação de sua soberania.
Durante a conversa, o comandante também relembrou como a Revolução Islâmica de 1979 foi retratada pela imprensa internacional. Segundo ele, a narrativa predominante enfatizava um cenário de radicalização, mas a experiência de conhecer o país permitiu uma compreensão diferente sobre aquele processo histórico.
“A maneira como a imprensa se referia à Revolução Islâmica era quase apocalíptica. Hoje, estando aqui, percebemos que muita coisa foi apresentada de forma distorcida.”
Outro ponto abordado foi a figura do aiatolá Ruhollah Khomeini. Para Farinazzo, a dimensão espiritual de sua liderança continua exercendo influência sobre parte significativa da sociedade iraniana, aspecto que, segundo ele, ajuda a compreender a mobilização observada durante a cerimônia fúnebre.
Ao analisar o recente conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, Farinazzo afirmou que Washington subestimou tanto a capacidade militar quanto a disposição dos iranianos para resistir.
“O grande erro foi não compreender o caráter do povo iraniano. Não existe possibilidade de administrar militarmente uma guerra dessa dimensão.”
Segundo o comandante, a dimensão territorial, a estrutura militar e a capacidade de mobilização interna tornam inviável qualquer tentativa de ocupação do país. Na sua avaliação, o resultado do confronto fortaleceu politicamente a liderança iraniana.
A entrevista também abordou os efeitos das sanções econômicas impostas ao Irã. Farinazzo reconheceu que as restrições provocam inflação, dificuldades comerciais e limitações ao crescimento econômico. Entretanto, argumentou que elas também impulsionaram a criação de soluções nacionais em diversos setores.
Ele citou como exemplos a produção industrial, o sistema financeiro próprio, a fabricação de automóveis e os investimentos em tecnologia e inteligência artificial.
“Eles têm orgulho muito grande das soluções locais. Construíram um ecossistema próprio que funciona apesar das sanções.”
Na parte final da entrevista, Farinazzo afirmou que o caso iraniano oferece reflexões importantes para países que buscam reduzir sua dependência externa. Segundo ele, o Brasil deve observar essa experiência não para reproduzi-la, mas para fortalecer sua própria capacidade produtiva, científica e tecnológica.
Para o comandante, a construção de um projeto nacional de desenvolvimento exige autonomia industrial, inovação tecnológica e políticas voltadas à soberania, preservando as características históricas e institucionais brasileiras.
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