247 – A Polícia Federal (PF) não vê fundamentos técnicos ou jurídicos para firmar um acordo de colaboração premiada com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master. Segundo o jornal O Globo, Rodrigues afirmou que a proposta apresentada pela defesa de Vorcaro não atende aos requisitos previstos na legislação para a celebração de um acordo de colaboração premiada.
De acordo com o diretor-geral, os relatos não apresentam fatos inéditos e tampouco foram acompanhados de provas capazes de confirmar as informações prestadas. Rodrigues acrescentou que a PF adota medidas de proteção e sigilo das provas obtidas para evitar possíveis questionamentos e pedidos de anulação das investigações
PF diz que proposta não atende aos requisitos legais
Ao comentar a possibilidade de um acordo, Andrei Rodrigues afirmou que a Polícia Federal concluiu não haver interesse técnico nem respaldo jurídico para validar a colaboração proposta.
“De fato, não há interesse técnico, não há elementos jurídicos que autorizem essa proposta de delação seja validada, porque muitas das coisas que estão sendo contadas já são do nosso conhecimento”, declarou o diretor-geral da PF.
A manifestação reforça a decisão da corporação de rejeitar, no mês passado, a segunda proposta de colaboração apresentada por Daniel Vorcaro. A posição foi comunicada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, e também recebeu parecer contrário da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Investigação já reúne provas consideradas suficientes
Conforme a reportagem, a avaliação dos investigadores é de que os anexos apresentados pela defesa não acrescentam elementos novos à apuração nem contêm provas que justifiquem a celebração de um acordo.
A Polícia Federal sustenta que grande parte dos fatos narrados pelo ex-banqueiro já era de conhecimento da investigação. O inquérito reúne oito celulares apreendidos de Vorcaro, além de mensagens, documentos e outros materiais coletados durante as diligências.
Os investigadores também entendem que a proposta concentrou-se mais em justificar a relação do empresário com agentes políticos do que em confessar crimes ou indicar novos caminhos para o avanço das investigações, condição considerada essencial para um acordo de colaboração premiada.
PF afirma que preserva provas para evitar anulações
Durante a entrevista, Andrei Rodrigues ressaltou que a corporação adota medidas rigorosas para proteger o conjunto probatório produzido ao longo da investigação.
Segundo o diretor-geral, o objetivo é preservar a validade das provas e evitar futuros questionamentos judiciais que possam resultar em pedidos de nulidade do processo ou comprometer o andamento das apurações.
Segunda tentativa de colaboração fracassa
Esta foi a segunda tentativa frustrada de negociação entre a defesa de Daniel Vorcaro e a Polícia Federal. A primeira foi encerrada em maio e resultou, inclusive, na substituição da equipe de advogados do ex-banqueiro.
Daniel Vorcaro é investigado por suspeitas de comandar um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, caso que apura possíveis prejuízos a correntistas, investidores e fundos de previdência de estados e municípios.
Pela legislação brasileira, um acordo de colaboração premiada exige que o investigado apresente informações inéditas, relevantes para a investigação e acompanhadas de elementos capazes de comprovar os relatos. Segundo a Polícia Federal, esses requisitos não foram preenchidos nas propostas apresentadas pela defesa de Daniel Vorcaro.
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