247 – O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) teve seu nome identificado em planilhas apreendidas pela Polícia Federal durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, que apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado à cúpula do jogo do bicho e possíveis conexões com agentes públicos do Rio de Janeiro. As informações são da coluna do jornalista Octavio Guedes, no G1.
Ramagem não foi alvo da operação deflagrada nesta quinta-feira (2), mas figura como investigado. A Polícia Federal informou que prossegue com a análise do material apreendido para aprofundar as investigações sobre os registros encontrados nas planilhas.
Planilhas registram quatro supostos pagamentos
De acordo com os documentos analisados pelos investigadores, um arquivo denominado “planilha 2” registra quatro lançamentos atribuídos ao ex-parlamentar. Nos documentos, ele aparece identificado como “DEP RAMAGEM” e “DEP ALEXANDRE RAMAGEM”.
Os registros são os seguintes:
- 2 de setembro – DEP RAMAGEM – R$ 39.708,00;
- 6 de setembro – DEP RAMAGEM – R$ 30.000,00;
- 21 de setembro – DEP ALEXANDRE RAMAGEM – R$ 18.100,00;
- 29 de setembro – DEP ALEXANDRE RAMAGEM – R$ 22.080,00.
As planilhas informam apenas o dia e o mês dos supostos pagamentos, sem indicar o ano em que teriam ocorrido.
Segundo a investigação, os documentos reúnem anotações sobre supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras que podem estar relacionadas à lavagem de dinheiro envolvendo agentes políticos fluminenses.
O G1 procurou a assessoria de Alexandre Ramagem, mas não havia recebido manifestação até a publicação da reportagem.
Condenação e situação de Ramagem
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Jair Bolsonaro (PL), Ramagem foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro. Posteriormente, perdeu o mandato após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
Após a condenação, Ramagem deixou o Brasil e está nos Estados Unidos. O governo brasileiro apresentou pedido de extradição às autoridades estadunidenses, enquanto o ex-parlamentar aguarda a análise de um pedido de asilo político.
Cláudio Castro também é citado
O nome do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) também aparece nas planilhas apreendidas, embora ele igualmente não tenha sido alvo da operação desta fase.
Em nota, a defesa de Castro afirmou ser “mentirosa qualquer ilação” de que o ex-governador tenha recebido pagamentos de Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. Os advogados sustentam que a simples citação do nome de Castro não comprova recebimento de recursos, irregularidade eleitoral ou prática de qualquer ato ilícito.
Operação investiga lavagem de dinheiro
A Polícia Federal deflagrou a 5ª fase da Operação Unha e Carne para investigar um esquema de lavagem de dinheiro atribuído à chamada “Máfia do Cigarro”, organização supostamente liderada por Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho.
Durante a operação, o pastor e empresário Márcio Poncio foi preso preventivamente em um flat na Barra da Tijuca. Segundo a investigação, ele é suspeito de manter vínculos com a organização criminosa.
Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, também foram expedidos mandados de prisão contra Adilsinho e o ex-deputado Rodrigo Bacellar, ambos já custodiados em decorrência de fases anteriores da operação.
A decisão judicial determinou ainda o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões. A medida teve como base, entre outros elementos, planilhas oriundas da Operação Fumus, de 2021, que registrariam supostos pagamentos periódicos a pelo menos 20 agentes políticos do estado.
A atual fase da Operação Unha e Carne decorre de determinação do STF no âmbito da ADPF das Favelas, que estabeleceu o aprofundamento das investigações sobre possíveis vínculos entre organizações criminosas e agentes públicos dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.
Nas etapas anteriores, a operação investigou o vazamento de informações sigilosas para o Comando Vermelho, irregularidades envolvendo a Fundação Ceperj e fraudes em contratações da Secretaria Estadual de Educação.
Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa investigada controlaria um esquema de comercialização de cigarros falsificados em grande parte do estado do Rio de Janeiro, provocando prejuízos bilionários aos cofres públicos em razão da sonegação fiscal.
A defesa de Márcio Poncio informou que ainda não teve acesso aos autos do processo. Já os advogados de Adilsinho negam que o contraventor tenha realizado pagamentos indevidos a agentes políticos.
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