O PMDB sempre desejou ardentemente a presidência da República. Paradoxalmente, para se unificar, sempre lançou mão da ideia de uma candidatura própria, o que jamais se confirmava. Era apenas um elixir da unidade interna.
Portanto, quando se ouvia “teremos candidato a presidente na próxima eleição”, anotava-se “faremos aliança com o virtual ganhador”. Isso, como consequência, fazia o PMDB ser uma espécie de estabilizador institucional.
Não à toa, o partido sempre pôde dizer que ajudou para o avanço social. Tanto na conquista da moeda forte quanto na inclusão e distribuição de renda. FHC e Lula/Dilma, respectivamente.
O partido, assim, se tornou o centro democrático do País.
Em 2016, o PMDB viu a impopularidade de Dilma como uma oportunidade para converter em real o que sempre fora um diversionismo: conquistar a presidência da República.
Paradoxalmente, neste caminho, o elixir que o unificava o dividiu e, ao invés de estabilizar a institucionalidade, rachou ainda mais o país e pode lançar-nos na mais grave polarização desde 1964.
Em 64 foi dado um golpe de estado travestido de legalidade, cujo regime oriundo foi o peemedebismo essencial para derrubar.
Decorrente disso, foi o protagonista da Constituição Cidadã de 1988 e seus belos direitos sociais.
Em 2016, o peemedebismo patrocina e é diretamente beneficiário de um golpe travestido de legalidade.
Se conquistada a presidência, ao invés de ajudar ao avanço social, o programa empunhado significará um profundo retrocesso.
Retrocesso este que significará rasgar a Constituição de 1988 em seus belos direitos sociais, cujos mecanismos de materialização, paradoxalmente, o PMDB votou a favor, desde 2003, no Congresso Nacional.
Tudo pela ambição de liderar uma nova hegemonia, cuja base social fundamental terá que ser a extrema-direita, exterminando o centro democrático.
Paradoxalmente.
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