Está saindo muito barato para o vice Michel Temer (PMDB) o adjetivo “interino” usado para denominar o governo que derrubou a presidente eleita Dilma Rousseff (PT).
Na ausência de legitimidade e de normalidade democrática, o mais correto seria qualificar de “governo ditatorial” e não “governo provisório” de Michel Temer.
Convencionada por analistas a estibordo e a bombordo, essa nomenclatura “interino” envelheceu, pois, se houve golpe nessa história de impeachment, necessariamente ocorreu uma interrupção democrática no país.
Governos golpistas não são democráticos por excelência, por mais que sejam “interinos”.
A tomada de poder, por si só, já evidencia uma violência contra quem de fato tem legitimidade dentro de um Estado Democrático de Direito.
O Brasil não viveu uma revolução, cuja característica seria a ruptura com a estrutura atual, que legitimasse o golpe de Estado.
Haveria possibilidade de um golpe interino? Existiria, ainda, uma ditadura interina? Evidentemente que não.
O Brasil vive uma transição ditatorial para o pensamento único, do tipo neoliberal, calcada em decisões judiciais e espetacularizações midiáticas.
Portanto, é mais correto denominar Michel Temer de “ditador” do que “interino”.
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