Opinião

Mais um preso político

“Prender sem julgamento é antecipar a culpa. O veredicto. É a subversão de qualquer noção de justiça num estado de direito. É a melhor maneira de convencer a opinião pública de que o sujeito é criminoso. A prisão de Palocci escancarou a República de Curitiba”, diz o colunista Alex Solnik; “A República de Curitiba é…

"Prender sem julgamento é antecipar a culpa. O veredicto. É a subversão de qualquer noção de justiça num estado de direito. É a melhor maneira de convencer a opinião pública de que o sujeito é criminoso. A prisão de Palocci escancarou a República de Curitiba", diz o colunista Alex Solnik; "A República de Curitiba é a ponta de lança de um regime autoritário que está em gestação sem que a nação perceba. A ordem, hoje, é destruir o PT. Amanhã, ninguém sabe"
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Cada vez mais claro que atos de exceção comandados pelo juiz Sergio Moro estão conspurcando a democracia brasileira.

   Moro e sua força-tarefa estão tentando reescrever a constituição de 1988 e contam com apoio – o que é terrível – da maioria dos brasileiros.

   A Operação Lava Jato cada vez mais se caracteriza como operação policial com objetivos políticos.

   Os métodos são semelhantes aos utilizados na ditadura militar. Prender com truculência ao menor indício – como ocorreu comigo: fui preso por estar em companhia de um cara cuja irmã era guerrilheira. Prender o maior número possível de inimigos – quando cheguei ao DOI-Codi todas as celas estavam superlotadas. Oferecer a delação em troca da redução de danos: a primeira coisa que perguntavam no DOI-Codi era “você conhece Fulano”? e se dissesse que conhecia ele era preso em seguida.

   Alguém precisa parar a Lava Jato! Porque ela não está aí para acabar com a corrupção e sim para acabar com a democracia. Os órgãos internacionais de defesa dos direitos humanos precisam ser informados que há presos políticos no Brasil.

   Prender sem julgamento é antecipar a culpa. O veredicto. É a subversão de qualquer noção de justiça num estado de direito.

   É a melhor maneira de convencer a opinião pública de que o sujeito é criminoso.

   A prisão de Palocci escancarou a República de Curitiba.

   Moro prendeu Mantega, depois soltou.

   Mas era preciso – tudo indica – dar mais um coice no PT exatamente na semana final da campanha de 2016.

   Moro prendeu Palocci.

   Sem entrar no mérito das prisões o fato de prender antes da sentença transitada em julgado e sem que se apresentem motivos urgentes é uma clara e enorme desobediência à constituição.

   Já está mais do que evidente que o alvo é o PT.

   Se assim não fosse, Moro poderia ter mandado prender Palocci (ainda assim ao arrepio da lei) na semana que vem, depois das urnas.

   Que pressa havia em conduzir Palocci a Curitiba se não para ser mais uma peça publicitária da Operação Delenda PT?

   Imagino que muitos brasileiros, sobretudo aqueles que saíram de verde-amarelo atrás do pato da Fiesp devem estar felizes com a prisão de hoje.

   Mas é uma felicidade vazia e passageira. O arbítrio começa por um alvo determinado, mas nada impede que logo em seguida outros alvos sejam mirados para que o regime se consolide.

   A República de Curitiba é a ponta de lança de um regime autoritário que está em gestação sem que a nação perceba.

   A ordem, hoje, é destruir o PT.

   Amanhã, ninguém sabe.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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