“Na última quinta-feira (5) o sr. havia dito que Roraima não havia pedido socorro aos presídios e depois saiu um ofício provando que tinha pedido. O sr. não caiu em contradição”?
“Não, eu não caí em contradição. Lembrei de um dos pedidos e esqueci do outro. A governadora (Suely Campos, do PP) esteve no ministério duas ou três vezes. Não tenho problema nenhum em dizer que eu esqueci. O outro pedido foi para agir como agente penitenciário e foi negado”.
Esse trecho da entrevista do ministro da Justiça Alexandre de Moraes aos repórteres Gustavo Uribe e Leandro Colon, publicada hoje na Folha de S.Paulo é uma confissão de que alguma coisa está errada com a cabeça do ministro e ele precisa se afastar ou ser afastado para tratamento da amnésia seletiva que “não teve nenhum problema” em expor.
Não ficou claro se ele não atendeu à governadora porque se esqueceu do pedido ou se esqueceu do que ela tinha pedido ao falar aos jornalistas.
A gravidade da questão está em que um dos pedidos da governadora (“agir como agente penitenciário”) ele não atendeu e não esqueceu, mas o mais urgente deles – convocação da Força Nacional para garantir a segurança dos presos – ele não só não atendeu como deletou do cérebro.
O seu “esquecimento” resultou em uma chacina no presídio daquele estado com 33 mortes horripilantes que não serão esquecidas.
Manter no governo um ministro com esse perfil é um perigo não só para a administração, mas para todos os brasileiros. Sabe-se lá o que ele poderá esquecer das próximas vezes.
Se não tomar providências Temer vai confirmar, mais uma vez, que gosta de viver perigosamente.
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