Prisão de Lula não teve objetivo de apenas tirá-lo do Palácio do Planalto, uma espécie de impeachment preventivo, mas de desarticular o PT e a esquerda.
E o plano está dando certo. Sem Lula para intermediar os conflitos, as discussões podem virar dissidências. Choques de posições se multiplicam. Procura-se traidores. A guerra interna não tem fim.
Se Haddad se encontra com Ciro é taxado de traidor em dois segundos por uns, enquanto é incensado por outros.
Se Jaques Wagner diz que se Lula não puder ser candidato não vê problema em o PT indicar o vice de Ciro, é mais um Judas que deve ser jogado na fogueira o quanto antes.
Aldo Rebelo recebido com vaias e gritos de golpista e fascista é mais uma faceta desse moedor de carne ideológico que, de tanto sacrificar ex-aliados tende a isolar os petistas cada vez mais, o que é muito ruim num momento em que eles precisam atrair a sociedade civil para o lema “Lula livre”.
Com Lula isolado politicamente numa Sala de Estado Maior, ninguém na esquerda sabe para onde ir. A palavra de ordem deveria partir dele, não de um porta-voz, por mais qualificado que seja. É Lula quem deveria dizer o que deverá ser feito se ele não puder ser candidato em vez de correntes partidárias se digladiarem em torno do tema.
Afinal, o primeiro colocado nas pesquisas é ele. Só ele tem direito de decidir se – se ele for impedido – as eleições devem ser boicotadas; se deve ser escolhido alguém em seu lugar para ser cabeça de chapa ou para ser vice do Ciro ou do Boulos ou da Manuela.
Navio sem capitão vai a pique.
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