Opinião

Sobre o hegemonismo infantil e destrutivo do PT

Se Lula participou desse movimento ele errou, pois ignorou a militância pernambucana e colocou Ciro mais distante de uma aliança nacional que poderia envolver PT, PSB, PDT, PCdoB, PSOL e setores democratas de outros partidos

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O PT Nacional deveria estar trabalhando a unidade dos partidos de esquerda, mas faz exatamente o contrário.

Exemplo disso é que praticamente liquidou a candidatura de Marilia Arraes ao governo de Pernambuco, tudo para isolar Ciro Gomes e manter Fernando Pimentel no páreo em Minas Gerais.

Ciro é o adversário? Penso que não.

Bem, conheci Marilia Arraes no sindicado dos metalúrgicos de São Bernardo na véspera de Lula apresentar-se à polícia federal, conversei com ela e tive certeza tratar-se de uma jovem cujo sorriso revelava energia tão necessária à transformação de realidades a partir de uma visão progressista.

O tal acordo, que não será respeitado pela militância do PSB e do PT em Pernambuco e Minas Gerais, respectivamente, é um desastre tático, pois não ouviram as militâncias estaduais e afastaram ainda mais Ciro de uma desejável aliança já no 1º turno, tornando mais difícil a vitória de uma chapa de centro-esquerda.

O PCdoB segue coerente fazendo um trabalho hercúleo pela pavimentação de uma aliança de centro-esquerda, Manuela D’Avila e o hegemonismo dos dirigentes do PT, infantis e irresponsáveis, dão mais um passo para fortalecimento do centro-direita.

Alguém duvida que Ciro Gomes é um democrata e um progressista com capacidade única de transitar do centro para a esquerda e manter interlocução republicana com os democratas do centro-direita?

A decisão plenipotenciária da direção nacional do PT coloca “nu em praça pública” que o PT se tornou um partido igual aos outros, dirigido por burocratas que perderam a referência válida na política e no manejo republicano das diferenças.

A direção nacional ouviu a militância em Pernambuco?

Se Lula participou desse movimento ele errou, pois ignorou a militância pernambucana e colocou Ciro mais distante de uma aliança nacional que poderia envolver PT, PSB, PDT, PCdoB, PSOL e setores democratas de outros partidos. Ciro seria o interlocutor qualificado nesse momento para conversar com representantes do mercado e com democratas de direita.

Ciro é o adversário?

De que adiantou as fundações Lauro Campos, Leonel Brizola-Alberto Pasqualini, Perseu Abramo, João Mangabeira e Maurício Grabois, ligadas aos partidos de esquerda, reuniram-se em Brasília em fevereiro desse ano e expressarem a importância da unidade nas eleições?

Unidade é uma palavra sem conteúdo?

De que adiantou publicar documento declarando que independentemente das estratégias e táticas eleitorais do conjunto das legendas progressistas, uma base programática convergente pode facilitar o diálogo que construa a união de amplas forças políticas, sociais, econômicas e culturais que constituam uma nova maioria política e social capaz de retirar o país da crise e encaminhá-lo a um novo ciclo político de democracia, soberania nacional, prosperidade econômica e progresso social?

O hegemonismo medíocre do PT é causa da derrota da esquerda brasileira e, por essas e outras, assim fica cada vez mais difícil.

Sou obrigado a concordar parcialmente com Gustavo Castañon quando ele disse que: “A candidatura de Ciro se torna a heroica resistência de quem quer um projeto de nação contra a devastação moral da política nacional”, acrescento o heroísmo do PCdoB na busca pela unidade.

A defesa de #LulaLivre e a luta pela suspensão dos efeitos de sua condenação deveriam ser o caminho para a unidade, mas parece que o PT ainda crê ter o monopólio da verdade, da ética e supremacia a esquerda, mas não os tem.

Um registro sobre Minas Gerais: o PSB de Minas gerais divulgou uma nota repudiando o acordo firmado entre o diretório nacional da legenda com o PT e manteve a candidatura do ex-prefeito da capital, Marcio Lacerda, ao governo de Minas, o diretório do PSB em Belo Horizonte convocou os filiados da capital para o congresso estadual da legenda.

Ou seja, um desastre tático. A direita deve estar comemorando.

Pedro Benedito Maciel Neto, 54, advogado, sócio da Maciel Neto ADVOCACIA.

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