Faleceu o compositor vanguardista Walter Franco, que fazia parte da geração, nas décadas de 1960/70, dos malditos da música e poesia brasileira, ao lado de Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé, Wally Salomão, Tom Zé, Paulo Leminski, Torquato Neto, Jards Macalé e Capinam.
O artista plástico Hélio Oiticica cunhou a frase, “Seja marginal, seja herói”, que resumia uma série de trabalhos que ficou conhecido como Marginália, a contracultura que impôs derrotas à censura na ditadura militar.
Esse grupo faz oposição ao Homem cordial, definido pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda em seu livro Raízes do Brasil. O homem cordial define as virtudes do brasileiro, como a hospitalidade e generosidade, tão elogiadas pelos estrangeiros.
Acompanhando a força popular no Chile e Equador, fico pensando que está na hora de o brasileiro ser mais marginal que cordial; mais mimeógrafo que computador, mais Navilouca que Website. Está na hora do brasileiro aprender a afinar o instrumento de dentro pra fora, de fora pra dentro.
É muito desconfortável para nós, contemporâneos, assistir a cultura fedendo na lata de lixo, a miséria intelectual fascistóide defecando pela boca, o gado pisando em nossas flores, os ianques descendo de paraquedas em nossos quintais, acampando na areia das praias onde nossos violões e pranchas davam viço ao nosso corpo e as nossas ideias.
Walter Franco segue em sua Vela Aberta, cantando a dor Canalha, dizendo Respire Fundo de Coração Tranquilo, mas que também se dilacera num campo de batalha, um grito que se espalha…
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