Uma verdadeira tempestade desabou sobre o crime organizado no Rio de Janeiro no mesmo momento em que bons ventos sopraram sobre a corrida eleitoral para o governo do estado. Nesta quinta-feira, 2, uma megaoperação da PF atingiu o comando da chamada ‘Máfia da Fumaça’, a violenta organização criminosa que controla o mercado ilegal de cigarros em 45 dos 92 municípios fluminenses, com lucros superiores a 1 milhão diariamente.
Também hoje, levantamento do instituto Paraná Pesquisas indicou uma vantagem de 40 pontos a favor do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) sobre o rival Douglas Ruas (PL). Esse desempenho endereça para uma vitória em primeiro turno da coalizão civilizatória que se forma em torno da candidatura de Paes. Em levantamentos anteriores, o ex-prefeito já havia obtido 70% das intenções entre os votos válidos.
Ambas são boas notícias no árduo processo de resgate do Rio, abalado por históricas conexões entre o poder público e o crime organizado, em diferentes níveis. No campo da política, o desempenho de Eduardo Paes assinala que a população encontrou uma proposta crível de solução de problemas. O pré-candidato tem sido detalhista na apresentação das prioridades da sua gestão. E deixa claro que a questão da gestão do estado e da segurança pública estará entrelaçada, com aumento na colaboração com os órgãos federais de combate ao crime organizado.
UNHA E CARNE
Na manhã de hoje, a Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, atingiu nomes de primeiro escalão do esquema de ligações ilegais entre as máquinas da administração pública, da contravenção e das facções criminosas. Trata-se de uma etapa decisiva para a recuperação política e econômica fluminense, dominada – as provas estão aparecendo em profusão – por quadrilhas que iam do governador do estado a pastores pentecostais, passando por deputados e funcionários da máquina pública.
O nome do ex-governador Cláudio Castro aparece em uma das listas de pagamento de propinas encontradas nas buscas, apreensões e prisões feitas pelos agentes da PF. O pastor ostentação Marcio Poncio, chefe da adequadamente chamada Igreja da Nuvem, foi preso em razão de seu protagonismo na ‘Máfia do Cigarro’.
Conhecida pela violência e liderada pelo bicheiro Adilsinho, maior operador de cigarros falsificados e contrabandeados do Rio, que está preso, essa organização chega a arrecadar mais de 1 milhão de reais por dia com o controle sobre as vendas em 45 dos 92 municípios do Rio. Para conquistar seus espaços, sequestros e assassinatos estão entre os métodos do grupo.
Preso em março por determinação do STF, o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar teve desta vez novo mandado de prisão expedido por sua participação em esquemas de achaques sobre a população das favelas do Rio. Foi determinado o sequestro de 22 milhões de reais em valores em poder dos investigados.
A colaboração entre autoridades federais e estaduais está acelerando o processo de resgate civilizatório do Rio de Janeiro. Os arranjos criminosos que pareciam blindados em tempos recentes estão desmoronando.
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