Lista de Adilsinho cita Cláudio Castro e políticos do Rio

PF apura supostos repasses a agentes públicos em planilhas atribuídas a Adilsinho, alvo da Operação Unha e Carne

Cláudio Castro
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247 – O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e nomes de deputados federais e estaduais aparecem em listas apreendidas pela Polícia Federal e atribuídas ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, alvo da Operação Unha e Carne. Os documentos associam políticos a valores financeiros e levaram os investigadores a apurar a hipótese de caixa dois eleitoral e possíveis repasses irregulares. As informações foram publicadas nesta quinta-feira (2) pelo jornal Folha de S.Paulo.

A menção a Castro nas anotações integra uma nova frente de investigação sobre a atuação da cúpula do chamado novo jogo do bicho no Rio de Janeiro. A apuração ainda busca identificar o contexto dos registros e verificar se houve doações eleitorais ilegais, lavagem de dinheiro ou pagamentos indevidos a agentes públicos.

A defesa de Cláudio Castro negou qualquer irregularidade. Em nota, afirmou que “é mentirosa qualquer ilação de que ele tenha recebido pagamento, doação ilegal, vantagem indevida ou qualquer repasse de recursos” atribuído ao bicheiro.

“A simples citação de um nome em lista ou anotação produzida por terceiro não comprova recebimento de valores, irregularidade eleitoral ou prática de qualquer ato ilícito. A campanha de 2022 de Cláudio Castro foi regularmente declarada à Justiça Eleitoral, com prestação de contas apresentada e analisada nos termos da legislação”, diz a nota.

A defesa também sustentou que Castro não responde formalmente nessa nova fase da apuração. “Cláudio Castro não é alvo da operação mencionada e não há imputação formal contra ele relacionada aos fatos noticiados. A defesa reafirma que o ex-governador sempre esteve à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários.”

O advogado Ricardo Braga, defensor de Adilsinho, também rechaçou as suspeitas. Segundo ele, seu cliente “rechaça a alegação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos”.

Os nomes dos demais políticos mencionados nas listas permanecem sob sigilo. O caso tramita sob segredo de Justiça.

Adilsinho já estava preso e recebeu um novo mandado de prisão preventiva expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A nova fase da Operação Unha e Carne também atingiu o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar e o pastor Márcio Poncio. Bacellar também já estava preso. As defesas de Bacellar e Poncio não se manifestaram no material fornecido.

Ao todo, Moraes determinou três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O ministro também ordenou o bloqueio de bens e valores de até R$ 22 milhões.

Segundo a Polícia Federal, a nova etapa da operação nasceu da análise de planilhas apreendidas com Adilsinho. Os documentos, de acordo com a corporação, trariam registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e uma contabilidade paralela voltada à ocultação da origem de recursos ilícitos.

“Esta nova fase teve início após a apreensão de listas em poder do conhecido contraventor indicarem a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais”, diz a PF.

A corporação informou ainda que as anotações chamaram a atenção dos investigadores por indicarem possíveis pagamentos a agentes políticos no Rio de Janeiro. “As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro.”

A Operação Unha e Carne já investigou suspeitas de vazamento de informações sigilosas que teriam beneficiado o Comando Vermelho. Nesta nova fase, a PF mira suspeitas de lavagem de dinheiro ligadas ao jogo do bicho e apura eventual ramificação do esquema entre integrantes do Executivo e do Legislativo fluminense.

Cláudio Castro já enfrenta investigações da Polícia Federal em outras frentes, relacionadas às suas ligações com o empresário Ricardo Magro, do Grupo Refit, e com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O ex-governador nega as suspeitas. Após virar alvo de duas operações da PF em um intervalo de 11 dias, em maio, ele desistiu da pré-candidatura ao Senado.

Entre os alvos também aparece o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral (Solidariedade), filho do ex-governador Sérgio Cabral. Ele negou participação em organização criminosa. A Polícia Federal não divulgou a identidade dos demais investigados.

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